MINHAS CANÇÕES

MENSAGEM DE ANO NOVO

MENSAGEM DE ANO NOVO

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

CONSCIENTIZAÇÃO


A Conscientização é o ato de se tornar consciente. Esclarecido sobre algo que é necessário para nosso aprendizado, tomar consciência nos prepara e evita hábitos inadequados.

Conscientização é o ato de estar ciente, isto é, ter conhecimento sobre algo e a partir daí, passar a refletir, julgando o que está certo ou errado em suas atitudes de tal forma que seu objetivo passe a ser a transformação de si mesmo e depois da sociedade como um todo. Não basta saber, conhecer. É necessário agir, a fim de que a conscientização se torne efetiva e eficaz, perante a sociedade, de tal forma que os assuntos pertinentes sejam, senão resolvidos, pelo menos amenizados. A conscientização exige luta.

Paulo Freire: Diz que o processo de conscientização é o processo de confrontação do indivíduo com a realidade, na tentativa de compreendê-la. Superar as visões ingênuas sobre a realidade, ficar diante dela, disposto a transformá-la. Essa transformação nunca é um ato individual, sempre será coletivo, um ato político, conjunto e público. Os processos de conscientização são processos de superação da consciência ingênua. De nada adianta dizer que tem consciência da realidade, que conhece o funcionamento do mundo que o rodeia se não agir, fortemente, para transformá-lo em algo melhor.

O homem é um ser inacabado, que se educa e se transforma. É um ser na busca constante por ser mais. Aqui está a razão fundamental da educação.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Meus Filhos, razões para viver

De todas as alegrias, realizações e conquistas que já tive em minha trajetória de vida, uma das principais são os meus três filhos.

Cada um quando nasceu trouxe luz pra minha vida e, tem sido por eles que tenho buscado trilhar pelos caminhos do bem.

Agradeço imensamente a Deus, por me proporcionar esta alegria e por estar vivendo o crescimento de cada um deles.

Por minha opção de vida, nem sempre pude estar perto como deveria, más eles são para mim a motivação para seguir em frente, e o incentivo para enfrentar e vencer inúmeras dificuldades.


DIEGO ANDRADE DA PAIXÃO, meu primeiro filho.

Nasceu no dia 27 de fevereiro de 1989 às 12:35 horas, em Caruaru/PE.

Quando o Diego nasceu eu já estava em meio à luta no Movimento Sindical e no Partido dos Trabalhadores de Caruaru. Estávamos já em discussão para a participação da histórica Greve Geral contra o Governo de José Sarney, que veio a acontecer em 14 e 15 de março de 1989.

O nascimento de Diego, me trouxe uma grande emoção, pela primeira vez (aos vinte e um anos de idade) eu estava vivendo a experiência de ser pai, em meio às lutas sociais que caracterizam grande parte de minha história de vida.

Quando o segurei em meus braços, na manhã do dia posterior ao seu nascimento (oportunidade em que fui buscá-lo no hospital junto com sua mãe) senti uma alegria diferente e tive a consciência de que minha responsabilidade (a partir daquele momento) passaria a ser maior.

Na noite do dia 28, dei-lhe o nome de Diego. Eu já estava mergulhado na história das lutas populares da América Latina e o nome Diego me caiu bem, por ser um nome latino muito forte.

Significado do nome:
Diego: Significa “aquele que doutrina”, “conselheiro”; “aquele que vem do calcanhar”.
Diego é um nome de origem espanhola, no entanto possui sua raiz etimológica duvidosa ou incerta.
Algumas fontes o relacionam com o latim didacus, que deriva do grego didache e que quer dizer “doutrina” ou “ensino”. Assim, o nome Diego tem o significado de “aquele que doutrina”, “aquele que ensina”. 
 

PABLO GUEVARA ANDRADE DA PAIXÃO, meu segundo filho.

Nasceu no dia 03 de julho de 1993 às 11:40 horas, em Caruaru/PE.

Quando o Pablo nasceu eu já estava vivendo o auge de uma militância sócio-política e sindical, meus horizontes não se restringia somente a Caruaru. Viajava por vários estados do nordeste, várias cidades de Pernambuco. Estimulando a formação de Sindicatos, desenvolvendo atividades políticas intensas. Minha consciência política e meus ideais de vida já estavam consolidados.
 
Quando fui buscá-lo no hospital senti que deveria fazer uma dupla homenagem, que representasse o momento que eu estava vivendo e a emoção de ser pai pela segunda vez.
 
À noite, dei-lhe o nome de Pablo Guevara. 
 
Pablo, em homenagem ao Poeta Chileno Pablo Neruda, grande referencial para a América Latina, por seus escritos e seus ideais.
 
Guevara, em homenagem a Ernesto Che Guevara, o qual é para mim o símbolo maior do guerrilheiro, do lutador social, do construtor de uma nova sociedade.
 
 
VICTOR ERNESTO SILVA DA PAIXÃO, meu terceiro filho.

Nasceu no dia 02 de fevereiro de 2001 às 15:10 horas, em Palmares/PE.

Quando o Victor nasceu eu estava numa outra fase de transformações em minha vida. Minha atuação estava concentrada na zona da Mata Sul de Pernambuco, especialmente no município de Água Preta. Morava em Joaquim Nabuco e estava em meu segundo casamento.
 
Os ideais de vida, as convicções e minhas ideologias permaneciam as mesmas de antes, más por força de circunstâncias, passei por alguns traumas, perdas e insucessos.
 
Seu nascimento trouxe (à exemplo de meus outros dois filhos) muita luz pra minha vida e a tranquilidade que eu precisava naquele momento de turbulências.
 
Dei-lhe o nome de Victor Ernesto.
 
Victor, em homenagem ao poeta, cantor e compositor Chileno Victor Jara, preso, torturado e morto pelo Golpe Militar liderado por Pinochet no Chile em 1973.
 
Ernesto, foi mais uma vez em homenagem a Che Guevara.

domingo, 15 de janeiro de 2017

"Deu Onda" - Música ou Lixo Cultural


Chegando o carnaval e mais uma vez vemos explodirem os "hits do momento".

Um deles ou talvez o principal é o funk chamado de "Deu Onda", que após seu "lançamento" em vídeo já reúne em pouco tempo milhões de visualizações, já se toca nas festas, confraternizações, etc. "Artistas" vários já estão "cantando" em seus shows, crianças, adolescentes e jovens, ouvindo, cantando e dançando.

Sou daqueles que antes de surfar em qualquer onda, procuro analisar o conteúdo, a letra e o que está por trás do que a mídia propaga.

Destaco aqui alguns tópicos de minha avaliação:
- Letra: segundo o próprio "criador" o MC G15, a idéia surgiu a partir do momento em que assistia um filme de terror. Talvez numa alusão do que realmente significa esse tipo de coisa para quem entende de música, um verdadeiro terror.
- Ritmo: já conhecido e massificado, o funk carioca, que é nada mais, nada menos que a descaracterização do verdadeiro funk. O funk carioca (amplamente disseminado em todas as regiões do país) faz apologia clara e direta ao uso de drogas e armas, ao sexo irresponsável e trata as mulheres como objetos de uso e descartável.

A versão sem cortes ou "sem censura" que é a cantada e dançada pela maioria das pessoas, faz alusão direta ao uso de drogas, que são substituidas pelo sexo, numa linguagem deplorável, tratando a mulher como coisa. Aliás, para quem tem dúvida do que estou falando ou que ainda não entendeu, visitem o vídeo que está no youtube, onde um imbecil explicita toda seu entendimento sobre essa coisa que muitos chamam de "música".
Link do vídeo:  https://www.youtube.com/watch?v=9TN6rwtf57o&t=316s.

O refrão, remete a "compreensão" do funkeiro de que as relações se resumem simplesmente ao sexo e nada mais.

Ou seja, mais um LIXO CULTURAL, que a cultura de massa (manipulada pela grande mídia) coloca para as pessoas consumirem. Primeiro um imbecil qualquer grava o lixo, depois joga na mídia, em seguida os "meios de comunicação" tratam de propagar. Para reforçar e garantir o sucesso, outros "artistas imbecis" adotam em seu "repertório" e consequentemente o povão que tudo consome "sem raciocinar" seguem a onda imbecilizante.

As consequências desse lixo cultural, nós já sabemos e vemos diariamente: crianças, pré- adolescentes, adolescentes e jovens com atitudes sexuais precoces e irresponsáveis, crescimento da gravidez na adolescência, maior incidência dos casos de HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, relacionamentos sem sentimentos, girando apenas em torno do sexo e manutenção da cultura machista.

Como educador me deparo com essa realidade todos os dias, em que buscamos orientar à reflexão sobre os valores pessoais e sociais e, estimular o entendimento que para expressar alegria e felicidade em dançar, cantar e se divertir, não é necessário baixar o nível e se expor como produto.

Não entro nessa onda alienadora e imbecilizante. Não me curvo ao modismo e nem a putaria. Sigo acreditando na música de bom conteúdo.

Na nossa cultura popular e particularmente no nordeste e em Pernambuco, temos vários ritmos que podem ser transformados em hits do momento e de sempre, que podem estar presentes nas festas e nas ruas, com letras que valorizam a mulher e o homem, que dialogam com a boa convivência.

Consciência Negra em Mirandiba é reafirmada nas ruas


No dia 18 de Novembro de 2016, o Instituto Cultural Raízes participou como parceiro do evento de Celebração da Consciência Negra em Mirandiba/PE à convite do Grupo Zumbi de Dança Afro e Percussão, retomando uma parceria que se deu inicialmente de 2007 a 2012.

O evento além de marcar o Dia Nacional da Consciência Negra, foi também um ato de afirmação da negritude mirandibense, num grito contra o preconceito e a discriminação racial.


A programação teve início com a realização de um Cortejo de Cultura Popular, saindo da sede do Zumbi e seguindo pelas principais ruas da cidade, onde participaram o Maracatu Afrobatuque de Floresta, o Grupo Zumbi e o grupo local de Capoeira.
Nas cantigas e palavras de ordem, homenagens a Zumbi dos Palmares e contra  o preconceito.


As apresentações à noite, ocorreram no centro da cidade, onde destacou-se o Grupo Zumbi com as danças do Coco de Roda e Africana, além de uma linda apresentação de Afoxé, contando também com a participação do Maracatu Afrobatuque de Floresta que encantou a todos os presentes com as homenagens a Naná Vasconcelos e a Nação do Maracatu Porto Rico.

Se revezaram nas apresentações o grupo local de Capoeira, o Hip Hop e grupos dos programas sociais.

O Afoxé Filhos de N'Zambi abrilhantou o evento com uma apresentação junto com o Grupo Zumbi, com cantigas voltadas aos Orixás, como afirmação da cultura e religiosidade do povo afrobrasileiro.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Instituto Raízes - um trabalho pioneiro e inovador

Libânio Neto, Fundador e Presidente do Instituto Raízes

Dando continuidade a entrevista com o nosso Fundador e Diretor Presidente, Libânio Neto, os temas abordados agora serão o caráter pioneiro e inovador do trabalho realizado pelo Instituto, os desafios e as conquistas.



Pioneirismo e Inovação

Porque caracterizar essa atuação do Instituto como algo pioneiro e inovador?
Libânio Neto: Temos dito em várias oportunidades que o trabalho que fazemos é pioneiro pelo fato de que fomos nós a iniciar uma experiência permanente, cotidiana e concreta, coisas que antes não havia em Floresta e região. Somos referência em Cultura Popular e sobretudo em Cultura Afrobrasileira. Não tem outro trabalho semelhante em toda a região do sertão de itaparica.
Dizemos também que é inovador pelo fato de que estamos trazendo a vivência de tradições culturais que estavam abandonadas ou desconhecidas por muita gente. 

Público participante

Quantas crianças e adolescentes participam atualmente dos projetos em Floresta?
Libânio Neto: Temos atendido de forma permanente (nas oficinas que realizamos) uma média de 50 crianças, adolescentes e jovens remanescentes quilombolas e indígenas que residem no bairro do vulcão, santa rosa, cohab e caetano. Em novembro de 2016, chegamos a reunir cerca de 80 crianças, adolescentes e jovens na celebração da Consciência Negra.

Ritmos trabalhados

Quais os ritmos que são trabalhados nas oficinas?
Libânio Neto: Trabalhamos (nas danças e também percussão) os ritmos que são de origem afro-brasileira e indígena, e os ritmos que celebram a mistura entre o negro e o índio, os quais são: capoeira, maculelê, afoxé, maracatu, coco de roda, samba de roda, mazurca, caboclinho, ciranda, xaxado e danças africanas. De todos os que tem maior ênfase são o Maracatu de Baque Virado, o Afoxé e o Coco de Roda.

Grupos Culturais mantidos pelo Instituto

Quais os grupos mantidos pelo Instituto Raízes?
Libânio Neto: Temos dois grupos percussivos com um bom tempo de caminhada. O Maracatu Afrobatuque que foi criado em 2011 e trabalha o ritmo do Maracatu de Baque Virado e o Filhos de N’Zambi, criado em 2012, que trabalha o ritmo do Afoxé. Além destes, estamos criando o Grupo Sou da Terra, que reúne os ritmos do Maracatu, Afoxé, Coco, entre outros. Temos também o Grupo Dandara (grupo de danças afroindígena), o qual foi o primeiro grupo criado pelo Instituto em Floresta, no ano de 2010.

Metodologia

Qual a metodologia adotada no trabalho?

Libânio Neto: Adotamos uma metodologia participativa, que estimula a capacidade e o potencial dos(as) integrantes, vinculando o aprendizado às raízes históricas afrobrasileira e indígena. Buscamos estabelecer, através do diálogo permanente, uma relação entre o aprendizado cultural e a formação para a cidadania, consistindo sobretudo, em regras de participação, obrigatoriedade de estar frequentando à escola (se está em idade escolar), formas adequadas de comportamento pessoal e social e em especial nas relações interpessoais entre a família e os demais participantes, na perspectiva de estimular a superação de limites e o desenvolvimento da personalidade.
Também trabalhamos a necessidade de se encarar as atividades com compromisso e responsabilidade, além do respeito necessário a simbologia e aos fundamentos de cada tradição cultural que vivenciamos.
Produzimos um espaço de convivência, de aceitação do(a) outro(a), eliminando qualquer forma de preconceito, despertando para a elevação da autoestima e para a busca de realizações positivas em suas vidas.

Dificuldades

Qual é a maior dificuldade enfrentada?
Libânio Neto: Quanto as dificuldades, podemos separar em duas. A primeira são as dificuldades internas no diálogo com os participantes, sobretudo pré adolescentes e adolescentes. Esses(as) chegam com todos os vícios sociais ou comportamentais vindos de relações interpessoais e familiares deterioradas, daí se produz um choque com a nova realidade: disciplina, não aceitação de preconceitos, obrigações, distribuição de tarefas e regras que são aplicadas, inclusive com suspensões e afastamentos. Somado a isso ainda tem o que de ruim a cultura de massa produz na cabeça das pessoas, tornando sempre mais difícil a compreensão da mensagem principal que buscamos transmitir.
A segunda dificuldade, é a falta de apoio estrutural de vários setores que formam a sociedade, em especial os poderes públicos e certos seguimentos mais abastados financeiramente, que não dispõe qualquer ajuda nesse sentido. Recebemos muitos elogios quanto ao trabalho, más ninguém se dispõe a ajudar.

Preconceito

Este trabalho já sofreu algum tipo de preconceito?
Libânio Neto: Já presenciamos várias reações preconceituosas, sobretudo em relação ao Afoxé e no Maracatu, quando cantamos para os Orixás. Neste sentido, nossa reação foi continuar tocando, cantando e dançando, porque o que fazemos é em nome de todos os nossos antepassados que sofreram com a escravidão, a perseguição, os maus tratos e toda uma imensa carga de preconceito e discriminação e, em honra ao nome e a história que eles construíram, não podemos nos abalar. Quando estamos nas ruas percebemos alguns olhares de reprovação. Já chegaram a me perguntar por que trazer o maracatu pra Floresta e busco explicar o que abordei anteriormente em relação ao significado histórico. Perguntam sobre o Afoxé, se somos do Candomblé, entre outras perguntas mais.
Procuramos mostrar que trabalhamos com o resgate e a preservação das origens e tradições do povo negro e do índio, então o Afoxé como o Toré (para os indígenas) são expressões de tradições culturais que tem seu perfil religioso sim. No entanto, não dizemos a nenhuma criança, adolescente ou jovem, nem tampouco a seus pais e mães, que religião deve seguir. O que não podemos é negar que a religiosidade esteja presente na cultura. O que queremos é que eles e elas (meninos e meninas) tenham consciência que quando tocam o maracatu ou o afoxé estão mantendo uma ligação profunda com seus ancestrais e antepassados e à força (o Axé) e a paz que são produzidos nos toques/baques e nas cantigas/loas são de exaltação às nossas raízes humanas e à nossa cultura. Isso boa parte já entende e o que mais importa é que estamos tocando, cantando e dançando pra resgatar valores humanos e sociais, bem como reatar os laços culturais muitas vezes rompidos.
Hoje em dia, muita gente que olhava atravessado, tem opinião diferente e até mesmo elogia, porque estamos levando uma formação de vida para diversas crianças, adolescentes e jovens. 

Resultados alcançados

Quais resultados positivos foram alcançados?
Libânio Neto: Em pouco mais de 6 anos de trabalho, registramos vários resultados positivos. Várias crianças e pré-adolescentes que entraram no projeto, mudaram de atitude diante da vida, desenvolveram sua auto-estima e o orgulho em ser da comunidade em que vive, de ser afrobrasileiro(a).
A comunidade do Vulcão mudou seu perfil, observamos hoje uma redução de vários índices anteriormente negativos, temos uma participação de uma maioria absoluta das crianças e pré-adolescentes, que nos motiva a seguir em frente.
Nosso trabalho é uma realidade concreta, não é "um projeto que pode dar certo", é um conjunto de ações que deram certo e mostraram que é possível transformar realidades, quando se une dedicação, vontade de fazer, responsabilidade e amor à capacidade de superação existente nas pessoas.
Não é só uma ocupação do tempo livre, é formação cidadã, é resgate da autoestima, é valorização humana. É uma oportunidade para construírem um presente e um futuro melhor. Por fim, o que podemos afirmar é que estamos promovendo a construção de perspectivas de vida diferentes, estamos promovendo verdadeiramente uma cultura de paz, através da música, da dança e de uma formação cidadã.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Instituto Raízes avalia atuação em Floresta e região

Libânio Neto, Fundador e Presidente do Instituto Raízes

Iniciando o ano de 2017, o Instituto Cultural Raízes realiza uma avaliação completa sobre a atuação nos últimos 7 anos em Floresta e região.

Nesse processo de avaliação, nosso site irá ouvir várias pessoas que se destacam nessa caminhada do Instituto Raízes, iniciando pelo nosso Fundador e Diretor Presidente, Libânio Neto. 

A entrevista está divida em duas partes. Na primeira, Libânio Neto fala do surgimento do Instituto, dos seus objetivos, de como se mantém a ONG e qual é o trabalho desenvolvido em Floresta e região.

O surgimento do Instituto Raízes

O que é o Instituto Cultural Raízes?
Libânio Neto: O Instituto Cultural Raízes é uma organização não-governamental, formada com caráter de associação civil de direito privado e sem fins lucrativos. Totalmente legalizada, com registro em cartório e funcionamento efetivo e permanente.

Como surgiu o Instituto Cultural Raízes?
Libânio Neto: O Instituto Cultural Raízes é o resultado de um trabalho que havíamos iniciado na zona da mata sul de Pernambuco e mais especialmente no município de Água Preta no período de 2001 a 2006. A partir de 2007, passamos a desenvolver várias experiências no sertão pernambucano, até chegar a Floresta e região de Itaparica.

Há quanto tempo o Instituto Cultural Raízes atua em Floresta?
Libânio Neto: Na verdade, atuamos em Floresta desde agosto de 2009. E já em 2010 instalamos a sede aqui no município, após avaliarmos o potencial multicultural existente na região.

Objetivos do Instituto Raízes

Quais são os objetivos do Instituto?
Libânio Neto: Nosso principal objetivo é promover o resgate e a valorização das tradições culturais afrobrasileiras e indígenas e, para tanto desenvolvemos uma série de atividades, ações e projetos, conforme estabelece os Estatutos Sociais da entidade.

O trabalho desenvolvido em Floresta

Qual é o trabalho desenvolvido pelo Instituto em Floresta?
Libânio Neto: Iniciamos com a realização de um levantamento cultural e depois a realização da 1ª Semana da Consciência Negra e um documentário realizado por ocasião do Festival Pernambuco Nação Cultural em novembro de 2009. A partir daí concentramos nossa atuação no resgate e preservação das tradições culturais do povo florestano, vinculado à cultura popular do sertão e do estado.
Atuamos também na assessoria em Floresta e em outros municípios para a realização de Conferências de Cultura, bem como na elaboração de projetos para grupos de jovens e entidades organizadas.
Posteriormente, iniciamos um trabalho para a organização das comunidades quilombolas, que acabou se expandindo e tomando grandes proporções.

Atividades mais destacadas

Neste período de quase 7 anos quais os trabalhos que mais se destacaram?
Libânio Neto: Em primeiro lugar o trabalho que realizamos junto às comunidades quilombolas que resultou na publicação de um livro, produção de documentário e na criação de diversos grupos culturais como a Banda de Pífano, Grupo de Dança da Mazurca, Grupo Flor do Pajeú composto de crianças quilombolas, entre outras ações que foram desenvolvidas visando o resgate dos elementos históricos e tradicionais e a organização formal das comunidades através da criação de associações.
Além disto, realizamos cinco Encontros de Tradições Culturais nas Comunidades Rurais de Floresta, onde destacamos o Forró Pé-de-Serra, a dança do São Gonçalo, a capoeira, maculelê, caboclinho, ciranda, coco de roda, afoxé e maracatu, que são tradições das culturas negra e indígena, além de expressões de nossa cultura popular.
Por fim investimentos na formação de grupos culturais compostos de crianças, adolescentes e jovens, onde neste período criamos cinco grupos culturais, dos quais dois permanecem atuantes até hoje, que são o Maracatu Afrobatuque e o Afoxé Filhos de N’Zambi.
É também marca de nosso trabalho a realização de oficinas permanentes de percussão, danças, artesanato, pintura em tela, violão, capoeira, entre outras, cujo público preferencial tem sido às crianças, adolescentes, jovens e remanescentes quilombolas e indígenas.
Destaca-se sobretudo nos últimos anos o trabalho realizado na Comunidade do Bairro do Vulcão em Floresta, onde foi possível promover uma completa inclusão social e formação para cidadania, que deu resultados positivos.

Onde mais atua o Instituto Raízes

O Instituto atua somente em Floresta?
Libânio Neto: Não. No nosso estatuto está estabelecido que podemos atuar em qualquer outro município de Pernambuco, muito embora nossa prioridade seja Floresta e região.
Em 2009, antes de iniciarmos o trabalho em Floresta já vínhamos realizando atividades nos municípios de Mirandiba e Belém do São Francisco e atualmente nossa atuação tem se feito presente em vários municípios da região e de outras microregiões do sertão pernambucano, seja com oficinas, palestras, seminários e fóruns, seja com apresentações culturais.
Já em 2014 realizamos (em parceria com a Escola Estadual Maria Emília Cantarelli) o Projeto Mais Cultura nas Escolas em Belém do São Francisco, o qual foi concluído satisfatoriamente no final de 2016.

A manutenção do Instituto Raízes

Como se mantém o Instituto do ponto de vista financeiro?
Libânio Neto: A nossa manutenção é proveniente de contratos para oficinas, projetos, cachês de apresentações culturais, prestações de serviços que temos realizado em Floresta e em vários outros municípios do sertão. Outras formas tem sido doações, parcerias (especialmente com o Instituto da Juventude) e, a venda de materiais de divulgação, tais como: camisas, cd’s, dvd’s e livros.

Como é a aplicação desses recursos?
Libânio Neto: Os recursos são aplicados integralmente nas atividades para os quais são destinados. Se é proveniente de um contrato para prestação de serviços ou de um Projeto, às despesas são de locomoção, combustível, pagamento de oficineiros, compra de material de apoio, produção de material didático e aquisição de instrumentos.
Já os recursos provenientes de parcerias, apresentações, doações e vendagem de material, são aplicados em ajudas de custo/gratificações para os componentes dos grupos principais, apoio sócio-educativo aos(as) participantes, manutenção dos instrumentos, aluguel da sede e manutenção da mesma e na estruturação da entidade.