PONTO DE PARTIDA

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sexta-feira, 25 de março de 2016

O Verdadeiro sentido da Páscoa


Desde minha infância, me acompanha algumas reflexões sobre o verdadeiro sentido da Páscoa.

Nunca fui influenciado pela propaganda consumista dos ovos de chocolates, até porque para o pobre, não é possível se dar ao luxo de comprar chocolate quando existem outras necessidades alimentares mais urgentes.

Fui crescendo e algumas perguntas me levaram a refletir e especialmente essa:

Se a Páscoa é a celebração da história de Jesus Cristo, que veio a esse mundo dar um testemunho de vida, que transmitiu uma mensagem de paz e de amor, que deu sua vida para provar ser verdade aquilo que vivia e que pregava, PORQUE TANTAS PESSOAS (A MAIORIA QUE SE DIZ CRISTÃOS) DÃO MAIS IMPORTÂNCIA AO COELHINHO E AOS OVOS DE CHOCOLATE?

Por outro lado, vemos alguns "costumes" que sinceramente, não se justificam.

Uns passam a maior parte do tempo de sua vida, falando mal dos outros, disseminando o ódio, a intriga e o mal e, na Páscoa resolve tudo distribuindo ovos de chocolates entre os amigos(as) e parentes, vai à missa e tá tudo bem. Esqueceram que suas atitudes foram e são repudiadas pelo exemplo do próprio Jesus Cristo.

Outros, promovem almoços de Páscoa imensamente fartos, comem bastante, vão à missa e, acham que é um exemplo de cristão. Só esquecem que Jesus Cristo viveu e pregou a partilha, o dividir com os que mais precisam.

Existem aqueles que para justificar sua dependência em relação ao álcool, trocam a "caninha", a cerveja, o uísque e outras bebidas mais fortes pelo vinho e, enchem a cara de vinho. Acham que estão respeitando alguma coisa? Não, continuam dependendo do álcool. O vinho acompanhou a ceia que Jesus fez com os apóstolos como bebida saudável na hora da refeição e como simbolização da celebração que Ele fez naquele momento decisivo com os seus apóstolos. 

Se alguém quer vivenciar o verdadeiro sentido da Páscoa, reflita sobre a vida, o exemplo, a dedicação, o compromisso e a entrega de Jesus Cristo, daí é só seguir o exemplo deixado por Ele.

Teríamos, certamente, um mundo bem melhor!

terça-feira, 22 de março de 2016

Quatro sombras afligem a realidade brasileira

Em momentos de crise, assomam quatro sombras que estigmatizam nossa história cujos efeitos perduram até hoje.
                

A primeira sombra é nosso passado colonial. Todo processo colonialista é violento. Implica invadir terras, submeter os povos, obriga-los a falar a língua do invasor, assumir as formas políticas do outro e submeter-se totalmente a ele. A consequência no inconsciente coletivo do povo dominado: sempre baixar a cabeça e ser levado a pensar que somente o que é estrangeiro é bom.

A segunda sombra foi o genocídio indígena. Eram mais de 4 milhões. Os massacres de Mem de Sá em 31 de maio de 1580 que liquidou com os Tupiniquim da Capitania de Ilhéus e pior ainda, a guerra declarada oficialmente por D.João VI em 13 de maio de 1808 que dizimou os Botocudos (Krenak) no vale do Rio Doce manchará para sempre a memória nacional.
Consequência: temos dificuldade de conviver com o diferente, entendendo-o como desigual. O índio não é ainda considerado plenamente "gente”, por isso suas terras são tomadas, muitos são assassinados e para não morrerem, se suicidam. Há uma tradição de intolerância e negação do outro.

A terceira sombra, a mais nefasta de todas, foi a escravidão. Entre 4-5 milhões de pessoas foram trazidas da África como "peças” a serem negociadas no mercado para servirem nos engenhos ou nas cidades como escravos. Negamos-lhes humanidade e seus lamentos sob a chibata chegam ainda hoje ao céu. Criou-se a instituição da Casa Grande e da Senzala.

Gilberto Freyre deixou claro que não se trata apenas de uma formação social patriarcal, mas deuma estrutura mental que penetrou nos comportamentos das classes senhoriais e depois dominantes.  

Consequência: não precisamos respeitar o outro; ele está aí para nos servir. Se lhe pagamos salário é caridade e não direito.
Predominou o autoritarismo; o privilégio substitui o direito. Criou-se um Estado para servir aos interesses dos poderosos, e não ao bem de todos, e uma complicada burocracia que afasta o povo.

Raymundo Faoro (Os donos do poder) e o historiador e acadêmico José Honório Rodrigues (Conciliação e reforma no Brasil) nos têm narrado a violência com que o povo foi tratado para estabelecer o estado nacional, fruto da conciliação entre as classes opulentas sempre com a exclusão intencionada do povo. 

Assim surgiu uma nação profundamente dividida entre poucos ricos e grandes maiorias pobres, um dos países mais desiguais do mundo, o que significa um país violento e cheio de injustiças sociais.

Uma sociedade montada sobre a injustiça social nunca criará uma coesão interna que lhe permitirá um salto rumo a formas mais civilizadas de convivência. Aqui imperou sempre um capitalismo selvagem que nunca conseguiu ser civilizado. Mas depois de muitas dificuldades e derrotas, conseguiu-se um avanço: a irrupção de todo tipo de movimentos sociais que se articularam entre si.

Nasceu uma força social poderosa que desembocou numa força político-partidária. O Partido dos Trabalhadores e outros afins, nasceram deste esforço titânico, sempre vigiados, satanizados, perseguidos e alguns presos e mortos.

A coligação de partidos hegemonizados pelo PT conseguiu chegar ao poder central. Fez-se o que nunca foi pensado e feito antes: conferir centralidade ao pobre e ao marginalizado. Em função deles se organizaram, como cunhas no sistema dominante, políticas sociais que permitiram a milhões saírem da miséria e terem os benefícios mínimos da cidadania e da dignidade.

Mas uma quarta sombra obnubila uma realidade que parecia tão promissora: a corrupção. Corrupção sempre houve entre nós em todas as esferas. Negá-lo seria hipocrisia. Basta lembrar os discursos contundentes e memoráveis de Ruy Barbosa no Parlamento.

Setores importantes do PT deixaram-se morder pela mosca azul do poder e se corromperam. Isso jamais poderia ter acontecido, dado os propósitos iniciais do partido. Devem ser julgados e punidos.

A justiça focou-se quase só neles e mostrou-se muitas vezes parcial e com clara vontade persecutória. Os vazamentos ilegais, permitidos pelo juiz Sérgio Moro, forneceram munição à imprensa oposicionista e aos grupos que sempre dominaram a cena política e que agora querem voltar ao poder com um projeto velhista, neoliberal e insensível à injustiça social. Estes conseguiram mobilizar multidões, conclamando o impedimento da Presidenta Dilma, mesmo sem suficiente fundamento legal como afirmam notáveis juristas. Mas o PT respondeu à altura.

As quatro sombras recobrem a nossa realidade social e dificultam uma síntese integradora. Elas pesam enormemente e vêm à tona em tempos de crise como agora, manifestando-se como ódio, raiva, intolerância e violência simbólica e real contra opositores. Temos que integrar essa sombra, como diria C.G.Jung, para que a dimensão de luz possa predominar e liberar nosso caminho de obstáculos.

Nunca fui filiado ao PT. Mas apesar de seus erros, a causa que defende será sempre válida:fazer uma política integradora dos excluídos e humanizar nossas relações sociais para tornar a nossa sociedade menos malvada.

Por Leonardo Boff

Fonte: Adital

domingo, 20 de março de 2016

Democracia ou Ódio de Classe?

Foto da Internet
Os protestos que tem ocorrido em nosso país desde 2014 e, sobretudo, agora com a intensificação da mídia, revelam algumas questões que merecem reflexão:

Em primeiro lugar, gostaria de destacar que fica claro a principal motivação dos protestos, "O ÓDIO DE CLASSE".

Basta ver com muita atenção que a maioria das pessoas que se expressam de forma mais agressiva e incisiva, são gente de classe média, empresários, profissionais liberais, historicamente aversos as classes populares e, que nos últimos anos têm visto seus privilégios serem reduzidos, enquanto que os menos favorecidos tem tido várias oportunidades de melhor desempenho social em suas vidas.

Principalmente agora, com os novos episódios, vemos os setores dominantes tirarem às máscaras e assumirem abertamente a oposição ao governo, já não há mais dissimulações.

Foto da Internet
Em segundo lugar, há um direcionamento dos protestos de forma exclusiva contra um único partido político, como se fora esse o único realizador de atos de corrupção, ou talvez até mesmo o idealizador de atos ilegais e espúrios.

Esquecem (ou não querem dizer) os articuladores dos protestos, que a corrupção é um mal histórico, intimamente vinculado ao "jeitinho brasileiro", presente na vida cotidiana da maioria absoluta da nossa gente e, encontra sua escala maior em meio a grande parte dos políticos e dos grandes empresários, banqueiros, fazendeiros e outros setores que compõem a classe dominante.

Foto da Internet
Em terceiro, vemos os meios de comunicação em geral e, de forma muito especial e praticamente exclusiva a Rede Globo e seus demais mecanismos de comunicação, conduzindo uma campanha difamatória sem limites, com total parcialidade e à serviço dos setores dominantes já mencionados, utilizando de seu potencial de manipulação da informação para passar aos "menos esclarecidos" as "verdades dos fatos" de um único lado.

Os mencionados nas famosas "delações premiadas"que não sejam do PT, são mencionados de passagem sem maior destaque e, com suas "explicações" resumidas.

Vergonhosamente, pude ver no último dia 13, nos dias que antecederam e também depois nos dias seguintes uma repudiável "cobertura de imprensa" que mais tem a ver com propaganda ideológica, convocando às pessoas e depois dando destaque permanente 24 horas, em todas as programações e a Globo News transmitiu sem intervalos, dando ênfase abertamente contrária ao governo.

O mesmo não ocorreu quando das manifestações pró governo da última sexta dia 18, o que deixa claro que a "liberdade de imprensa" que eles defendem é a liberdade de manipular e de se constituir em palanque político, de conduzir a opinião pública "especialmente os menos esclarecidos" a tomarem posição de acordo com seus interesses.

Como se não bastasse toda a nojeira na forma de abordar a realidade política do momento, ainda fazem questão de relacionar os fatos atuais com a crise na economia, mostrando que bolsas de valores sobem, dólar baixa, índices econômicos caem, porque "estão diretamente relacionados" com a crise no governo. 

Foto da Internet
Um quarto elemento de reflexão, diz respeito a setores do poder judiciário e de investigação, que demonstram claramente, suas tendências partidárias e sua inclinação em perseguição apenas às pessoas identificadas nas relações do PT.
Defendo que haja completa investigação sim, no entanto, que seja imparcial (pois é assim que o sistema judiciário deve ser).
Se observarmos sob a luz da imparcialidade e não movido pelas paixões, poderemos constatar que vários procedimentos foram adotados de forma a expor exclusivamente quem é do PT ou ligado ao mesmo e, mais particularmente a figura de LULA (Luiz Inácio da Silva).
Seu depoimento forçado e posteriormente o vazamento dos grampos telefônicos, demonstram um direcionamento tendencioso nas investigações e uma clara intenção de criminalizá-lo antecipadamente, ferindo o direito da defesa e da contra prova.
Tornar pública, ou vazar para a imprensa as "ações investigativas", deixam claro a intenção aberta de proceder com um julgamento público, criar um ambiente favorável ao golpe final, a "punição jurídica".
Enquanto isso, figuras carimbadas do mundo da corrupção: Renan Calheiros, Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves, entre tantos outros que não são filiados ao PT, tem seus pedidos de investigação arquivados e, quando são abertos processos contra os mesmos, não ocorre às investigações na mesma velocidade que os demais e, a imprensa, sequer menciona e, quanto aos mesmos não vemos serem obrigados a depor, nem vemos seus telefones serem grampeados.
Foto da Internet
Por último, nossa reflexão vem abordar o que vemos aflorar de forma intensa e insana, o oportunismo de grande parte dos políticos, especialmente no Congresso Nacional, a maioria deles beneficiados por doações de grandes empresas às suas campanhas eleitorais e outros por "esquemas" de corrupção, sendo muitos inclusive citados e investigados na própria operação Lava Jato, somados a outros (não menos corruptos) descontentes pela derrota eleitoral de 2014, se arvorarem a serem os "arautos da moralidade" ou os "paladinos" da "luta contra a corrupção".
O pior é ver que muitos deles faziam parte do jogo do "é dando que se recebe" que é histórico no Congresso, onde a maioria dos parlamentares trocam ou vendem seus votos, para obterem benefícios ou liberação de emendas por parte do Governo.
A postura desses falsos modelos de ética, desses oportunistas descontentes, desses serviçais das classes dominantes, compõe os ingredientes para o que os setores que controlam o sistema querem, promover um golpe de estado, no intuito de fazer voltar o "status quo" anterior, onde muitos praticavam corrupção e nenhum era investigado.

sábado, 12 de março de 2016

Instituto Raízes prepara comemoração de 15 anos


O Instituto Cultural Raízes, inicia hoje dia 12 de março de 2016, os preparativos para a comemoração de 15 anos de história.

Fundado em 16 de fevereiro de 2001, na Mata Sul do Estado de Pernambuco a partir de uma atuação nos Assentamentos de Reforma Agrária e no Movimento Popular é a partir de 2006 que a instituição mergulha na vivência cultural do sertão pernambucano.

Em 2009, ocorre a grande mudança na vida da ONG que passa a ter a denominação de Instituto para o Desenvolvimento da Cultura e da Arte e tem sua sede fixada em Floresta/PE, na microregião do Sertão de Itaparica.

A partir de então são 7 anos de um intenso e permanente trabalho de promoção, resgate e preservação das tradições da Cultura Popular, que se traduz em pesquisas; realização de grandes eventos; oficinas de percussão, dança, artesanato, entre outras e, principalmente na formação e manutenção de grupos culturais.

Com uma atuação voltada inicialmente para a promoção da valorização e reconhecimento de Comunidades Quilombolas e Indígenas, hoje o Instituto tem sua atuação ampliada, alcançando horizontes ainda maiores.

Em Floresta, o Instituto Raízes mantém três grupos que também terão seus aniversários comemorados em 2016, o Grupo Dandara, primeiro grupo a ser formado completará 6 anos de existência, por sua vez o Maracatu Afrobatuque de Floresta (principal grupo do Instituto) completa 5 anos de caminhada e, o Afoxé Filhos de N'Zambi que completa 3 anos de existência.

"Esse ano de 2016 é muito especial na nossa história, iremos comemorar com a realização de várias atividades e eventos importantes em Floresta e em outras localidades, marcando toda uma trajetória voltada para a promoção da Cultura Popular e de resistência em relação a afirmação e resgate das origens e tradições culturais".

No dia 27 de março de 2016, a Diretoria do Instituto Raízes, estará lançando toda a programação comemorativa, que será divulgada amplamente.

quinta-feira, 10 de março de 2016

A verdadeira História da Páscoa


Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera. A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade. A palavra “páscoa” – do hebreu “peschad”, em grego “paskha” e latim “pache” – significa “passagem”, uma transição anunciada pelo equinócio de primavera (ou vernal), que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março e, no sul, em 22 ou 23 de setembro.
A páscoa judaica (em hebraico פסח, ou seja, passagem) é o nome do sacríficio executado em 14 deNissan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (Chag haMatzot). Geralmente o nome Pessach é associado a esta festa também, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egito, conforme narrado no livro de Êxodo.
A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas tem um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel no Egito, no Cristianismo a Páscoa representa a morte e ressurreição de Jesus (que supostamente aconteceu na Pessach) e de que a Páscoa Judaica é considerada prefiguração, pois em ambos os casos se celebra uma “libertação do povo de Deus”, a sua passagem da escravidão (do Egito/do pecado) para a liberdade.
De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa.
Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.
Estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los para os seus amigos e aliados.
Por que o ovo de Páscoa?
O ovo é um destes símbolos que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida.
Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” aparece depois de um período de caos.
Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “Sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra – simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema.
O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang).
Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.
Na tradição cristã, o ovo aparece como uma renovação periódica da natureza. Trata-se do mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano. E mais: um ovo posto na sexta-feira santa afasta as doenças.
Por que o Coelho de Páscoa?
Coelhos não colocam ovos, isto é fato! A tradição do Coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?
No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.
Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas! Assim, os coelhos são vistos como símbolos de renovação e início de uma nova vida. Em união com o mito dos Ovos de Páscoa, o Coelho da Páscoa representa a renovação de uma vida que trará boas novas e novos e melhores dias, segundo as tradições.
Outros símbolos da Páscoa
O cordeiro é um dos principais símbolos de Jesus Cristo, já que é considerado como tendo sido um sacrifício em favor do seu rebanho. Segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo é “sacrificado” durante a Páscoa (judaica, obviamente). Isso pode ser visto como uma profecia de João Batista, no Evangelho segundo João no capítulo 1, versículo 29: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo”.
Paulo de Tarso (na primeira epístola a Coríntio no capítulo 5, versículo 7) diz: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.“
Jesus, desse modo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus (em latim: Agnus Dei) que supostamente fora imolado para salvação e libertação de todos do pecado. Para isso, Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado. Assim, a partir daquela data, o Pecado Original tecnicamente deixara de existir.
A Cruz também é tida como um símbolo pascal. Ela mistifica todo o significado da Páscoa, na ressurreição e também no sofrimento de Jesus. No Concílio de Nicea em 325 d.C, Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então, ela não somente é um símbolo da Páscoa, mas o símbolo primordial da fé católica.
O pão e o vinho simbolizam a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos, conforme é dito no capítulo 26 do Evangelho segundo Mateus, nos versículos 26 a 28: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.“
Por que a Páscoa nunca cai no mesmo dia todos os anos?
O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicea em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária – conhecida como a “lua eclesiástica”).
A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.
Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a seqüência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”. De fato, a seqüência exata de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.
Tabela com as datas da Páscoa até 2020
2014: 20 de Abril
2015: 5 de Abril (Igrejas Ocidentais); 12 de Abril (Igrejas Orientais)
2016: 27 de Março (Igrejas Ocidentais); 1 de Maio (Igrejas Orientais)
2017: 16 de Abril
2018: 1 de Abril (Igrejas Ocidentais); 8 de Abril (Igrejas Orientais)
2019: 21 de Abril (Igrejas Ocidentais); 28 de Abril (Igrejas Orientais)
2020: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais)
No final das contas, a páscoa é mais um rito de povos antigos, assimilado pela Igreja Cristã de modo a impor sua influência. Substituindo venerações à natureza (como no caso da Lua ou do Equinócio, tipicamente pagãs) por uma outra figura da mitologia, tomando os siginificados do judaísmo, os símbolos celtas e fenícios, remodelando mediante os Evangelhos e dando uma decoração final, criou-se um “ritual colcha de retalhos”.

Reproduzido do site:  http://www.brasilcultura.com.br/cultura/a-verdadeira-historia-da-pascoa/

quarta-feira, 9 de março de 2016

Até Sempre Naná!

Ensaio Rua da Moeda- Carnaval 2016 / Recife - Foto: João Rogério Filho

Hoje, acordei mais cedo com uma notícia muito triste.

Após lutar contra um câncer, Naná Vasconcelos terminou seus dias entre nós.

Confesso que me emocionei, por tudo que esse grande pernambucano e afrobrasileiro significa para a nossa cultura.

Um negro, pernambucano, nordestino, que sai pelo mundo mostrando a arte da vida, que transformou em uma vida de arte.

Seu reconhecimento por várias vezes como o maior percussionista do mundo, nos enche de alegria e orgulho, por representar a importância de nossas raízes e por significar um exemplo de superação e de conquistas.

Hoje, os tambores dos Maracatus choram a perda de um grande Mestre "O Mestre dos Mestres", que foi capaz de por vários anos juntar as várias Nações de Maracatu de Pernambuco na abertura do Carnaval de Recife.

Naná, deixa para todos nós um grande legado cultural e humano, que será lembrado toda vez que tocar um tambor, toda vez que um berimbau entoar uma cantiga.

Sua obra será motivação para muitos de nós e para as novas gerações que virão.

Não teremos mais sua presença física, más estará sempre conosco em espírito, pela sua arte, pela sua obra, pela maestria de sua criação.

Na eternidade onde se encontra nossos antepassados e ancestrais, hoje com certeza, receberam em festa Naná Vasconcelos. 

Os tambores ancestrais entoaram um batuque todo especial, para receber o Mestre que aqui na terra soube dignificar e honrar suas raízes.

Não digo adeus, digo Até Sempre Naná!
Porque "de certo" não esqueceremos seu exemplo, que servirá de inspiração constante e permanente para seguirmos em frente, na luta de preservação e valorização de nossa cultura.