PONTO DE PARTIDA

PONTO DE PARTIDA

terça-feira, 28 de junho de 2016

Bairro do Vulcão em Floresta/PE - Uma nova realidade


Nos últimos quatro anos o Instituto Cultural Raízes em parceria com o Instituto da Juventude, vem realizando um trabalho inovador e pioneiro na Comunidade do Bairro do Vulcão, em Floresta/PE.

Tudo teve início com a ampliação das oficinas de Maracatu e posteriormente de Afoxé, atendendo a crianças e adolescentes do Bairro. As oficinas eram realizadas em frente a sede do Instituto Raízes na rua Alcina Torres de Araújo, em outras oportunidades eram realizadas na Academia das Cidades, ao lado do Erem Nestor Valgueiro e no Parque das Caraibeiras. "Existe toda uma carga de preconceito com relação às pessoas dos bairros periféricos e, nós buscamos primeiramente mostrar nas ruas que às crianças e adolescentes do Vulcão existiam e que estavam despertando para às suas origens culturais", afirma o Diretor Presidente do Instituto Cultural Raízes, Libânio Neto.

Em seguida, as oficinas passaram a ser realizadas na própria Comunidade do Vulcão, o que teve uma excelente recepção por parte dos moradores e familiares dos participantes, o que motivou a direção do Instituto Raízes a instalar a sede da ONG no próprio bairro à Rua Eloi Torres de Barros, nº 81.

Com a receptividade por parte da Comunidade outras ações foram se somando, das quais merecem destaque:
- A celebração do Dia Nacional da Consciência Negra (20 de novembro) que tem início na Comunidade do Vulcão e de lá saindo o Cortejo Cultural até a Igreja do Rosário, no Centro Histórico da Cidade.
- Em novembro de 2013, o Instituto Raízes realiza o 1º Festival Multicultural da Juventude, centralizando a programação no bairro do Vulcão.
- Em abril de 2014, o Instituto da Juventude iniciou uma ação de recuperação da Quadra Poliesportiva, ajudando a preservar um patrimônio público e à serviço da Comunidade, num investimento financeiro que ultrapassou a quantia de R$ 6.000,00 (seis mil reais).
- Também em abril de 2014, o Instituto da Juventude da início ao Projeto da Escolinha de Futsal do Vulcão, cujo investimento financeiro ao longo de pouco mais de um ano já ultrapassa a marca de R$ 10.000,00 (dez mil reais).
- Em 2015, o Instituto Cultural Raízes realiza a Semana da Consciência Negra e o Encontro Multicultural da Juventude, mais uma vez centralizando as ações no Bairro do Vulcão.
- Ainda em 2015, o Instituto da Juventude estrutura o Espaço Sócio Cultural Elias de Flora, para sediar a Escolinha de Futsal e a realização de oficinas de artes e espaço de lazer organizado da Comunidade, aplicando para tanto um recurso em torno de R$ 8.000,00 (oito mil reais). 
- Em novembro de 2015, mais uma ação inovadora foi concluída, um grande mutirão que se iniciou com uma equipe de moradores e depois somou-se crianças, adolescentes e jovens dos grupos culturais mantidos pelo Instituto Raízes, que revitalizou a praça do Vulcão, com plantio e conservação dos canteiros, além da pintura da praça. 

Além desse conjunto de ações, são realizadas atividades semanais, nas áreas da cultura e do esporte e, do estímulo a convivência harmoniosa entre às pessoas da comunidade.   

"Outro objetivo do trabalho foi o de destacar as coisas positivas que acontecem no cotidiano da Comunidade, com ênfase principalmente para os valores culturais, artísticos e esportivos existentes, além de mostrar o bairro como espaço de convivência, lazer, integração, vivência cultural e esportiva e, de cidadania", afirma Libânio Neto.

"Hoje, a comunidade do vulcão tornou-se o bairro mais cultural da cidade, a quadra é frequentada por pessoas de vários outros bairros que de forma harmoniosa praticam o esporte com os moradores locais, os índices negativos foram reduzidos significativamente e, a maioria das crianças e dos adolescentes estão integrados às atividades culturais e esportivas, além de que vemos crescer o sentimento de autoafirmação e de valorização humana e, isso só foi possível devido a integração de grande parte da comunidade aos nossos projetos", conclui Libânio Neto.

domingo, 26 de junho de 2016

O pequeno Benício, mais uma vítima da sociedade em que vivemos


Pouco mais de um ano depois, republico este texto sobre minha indignação em relação à morte do pequeno Benício. Para que não se esqueça.


REVOLTANTE!
ME SINTO INDIGNADO!

Por isso quero fazer uma reflexão bastante objetiva.

Lamento profundamente que crimes como esse venham a vitimar uma criança, à exemplo de tantos outros pelo nosso país afora, ultrapassa as fronteiras de Belém do São Francisco e, nos agride por estar tão perto de nós.

O que tragicamente ocorreu com o pequeno Benício, é resultado de uma realidade cada vez mais cruel que vivenciamos, numa sociedade que caminha a passos largos para seu próprio extermínio e, vários são os fatores que compõem essa realidade gritante e, aqui quero elencar alguns.

Em primeiro lugar, se faz necessário refletir amplamente que são inúmeras as crianças vivendo em abandono ou quase abandono. Em geral filhos de pais/familias que vivem em situação de miséria, excluídos da sociedade de consumo, abandonados pelos poderes públicos e, rejeitados pela sociedade elitizada, que por essa razão vivem pelas ruas a mendigar dinheiro, comida ou até mesmo atenção. Muitas vezes passamos por essas crianças e não as enxergamos, porque estamos muito ocupados com nossas prioridades particulares e individualizadas.

Segundo, a situação de rua expõe essas crianças ao risco permanente de sofrerem violência e abusos, que em muitos casos começam dentro da própria casa.

Terceiro, as instituições da sociedade não cumprem o papel de preservar a vida, pois as famílias (em sua maioria) estão destruídas; à escola não tem sido espaço de formação cidadã; os setores governamentais ajudam muito pouco, pois exercem uma função paliativa, cujos recursos investidos são mínimos, os seguimentos jurídicos estão limitados por legislações que não inibem o crime, pois a certeza da impunidade fala mais forte.

Por fim, o sistema que predomina em nossa sociedade é excludente e, crianças pobres como o pequeno Benício, teve sua morte decretada já ao nascer e, isso nós não percebemos. Nos impacta quando toma sua forma trágica e violenta, como que uma forma de nos sacudir, de nos fazer pensar.

Temos uma grande parcela de responsabilidade em lutar e combater para que outros Benícios não venham a ser manchete policial, de um crime bárbaro e inaceitável.

Devemos ser capazes de olhar de forma mais atenta para quem está sendo excluído dia-a-dia e, nos dispormos a fazer algo que possibilite desenhar um presente e um futuro diferente do que está evidenciado nas condições atuais.

Podemos e devemos também cobrar dos que tem muito a fazer, à exemplo dos poderes públicos e dos que detém a maioria das riquezas,  para que priorizem de uma vez por todas a realização de ações concretas que acabem com a miséria que atinge muitos de nossos irmãos; que possibilite salvar vidas; que permita que as pessoas hoje excluídas, possam ter a oportunidade de construir uma vida melhor.

Precisamos escutar os gritos de Benício, por justiça, por ajuda, pelo direito à vida.

Precisamos proteger nossas crianças!

Martin Luther King



Quem foiMartin Luther King, Jr. foi um importante pastor evangélico e ativista político norte-americano. Lutou em defesa dos direitos sociais para os negros e mulheres, combatendo o preconceito e o racismo. Defendia a luta pacífica, baseada no amor ao próximo, como forma de construir um mundo melhor, baseado na igualdade de direitos sociais e econômicos.

Biografia
- Marthin Luther King nasceu em 15 de janeiro de 1929 na cidade de Atlanta (estado da Geórgia).
- Formou-se em sociologia em 1948 na Morehouse College.
- Em 1951 formou-se no Seminário Teológico Crozer.
- Em 1954, tornou-se pastor da Igreja Batista da cidade de Montgomery (estado da Virgínia).
- Em 1953, casou-se com Coretta Scott King com quem teve quatro filhos.
- Em 1955, tornou-se Phd em Teologia Sistemática pela Universidade de Boston.
- Em 1955, foi um dos líderes ao boicote às empresas de ônibus da cidade de Montgomery. Este boicote era para pressionar o governo a acabar com a discriminação que havia contra os negros no transporte público dos Estados Unidos. A Suprema Corte Americana acatou as reivindicações dos ativistas e terminou com a discriminação no sistema de transportes públicos.
- Em 1957, participou da fundação da Conferência de Liderança Cristã do Sul. Luther King liderou a CLCS, que lutava pelos direitos civis.
- Na década de 1960, Luther King liderou várias marchas de protesto e manifestações pacíficas em defesa dos direitos iguais entre brancos e negros e o fim do preconceito e da discriminação racial. 
- Em 14 de outubro de 1964, Luther King recebeu o Prêmio Nobel da Paz em função de seu trabalho, combatendo pacificamente o preconceito racial nos Estados Unidos.
- Em 1967, King fez vários discursos protestando contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.
- Em 1968, King organizou a Campanha dos Pobres, pregando a justiça social e econômica.
- Em função de sua atuação social e política, Luther King despertou muito ódio naqueles que defendiam a segregação racial nos Estados Unidos. Durante quase toda sua vida adulta, foi constantemente ameaçado de morte por estas pessoas e grupos. 
- Na manhã de 4 de abril de 1968, antes de uma marcha, Martin Luther King foi assassinado no quarto de um hotel na cidade de Memphis. 
- Sua atuação política e sociai foi fundamental nas mudanças que ocorreram nas leis dos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960. As leis segragacionistas foram caindo, dando espaço para uma legislação mais justa e igualitária. Embora sua atuação tenha sido nos Estados Unidos, Luther King é até hoje lembrado nos quatro cantos do mundo como símbolo de luta pacífica pelos direitos civis.

Frases de Luther King
-    "Um líder verdadeiro, em vez de buscar consenso, molda-o."
-     "O que mais preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."
-     "Quase sempre minorias criativas e dedicadas transformam o mundo num lugar melhor."
-     "Se um homem não descobriu algo por que morrer, ele não está preparado para viver."
-     "Sonho com o dia em que a justiça correrá como água e a retidão como um caudaloso rio."
-    "O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor.
-     "A Verdadeira paz somente não é a falta de tensão, é a presença de justiça."
-     "Nós temos que combinar a dureza da serpente com a suavidade da pomba, uma mente dura e um coração tenro."
-     "Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez conscienciosa."

-     "O Amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo."

sábado, 25 de junho de 2016

Maracatu Afrobatuque em Ouricuri


Na segunda feira dia 11 de maio de 2015, o Instituto Cultural Raízes esteve em Ouricuri com o Grupo do Maracatu Afrobatuque de Floresta, para participar das atividades culturais por ocasião do aniversário de 112 anos de Emancipação Política do município.

A indicação para a contratação do Grupo Maracatu Afrobatuque de Floresta, partiu da Secretaria de Educação do município através do nosso amigo Júnior Baladeira e, que contou com a aprovação do Prefeito Cezar de Preto.



A programação teve início na parte da tarde com uma breve oficina de Maracatu que realizamos na Escola Municipal Dr. José Coriolano Sobrinho.

Em seguida, à noite, realizou-se um grande Cortejo Cultural pela avenida central, seguindo até a Praça da Prefeitura, cortejo esse animado ao som da batida do Maracatu Afrobatuque de Floresta.



Encerrando à noite cultural o Maracatu Afrobatuque de Floresta fez a apresentação final, após diversas outras apresentações de escolas e programas sociais do município.

Jorge Camilo Torres Restrepo nasceu em Bogotá, Colômbia, em 03 de fevereiro de 1929. Sua família pertencia à alta burguesia liberal da Colômbia. Seu pai, Calixto Torres Umaña era um prestigioso professor de medicina na Universidade Nacional da Colômbia, e de 1931 a 1934 representou seu país como Cônsul, em Berlim. Com a separação dos pais, em 1937, Camilo foi morar com sua mãe, Isabel Restrepo Gaviria Torres, e com seu irmão Fernando, em Bogotá. Depois do curso secundário, freqüentou, em 1947, durante um semestre, o Curso de Direito na Universidade Nacional da Colômbia. Em inícios de 1948 resolve entrar no Seminário Conciliar de Bogotá e preparar-se para o sacerdócio. Ali permaneceu durante sete anos, sendo ordenado padre em 1954. Logo em seguida é enviado à Bélgica para estudar sociologia na Universidade Católica de Lovaina. Em 1958 se graduou como sociólogo, apresentando um trabalho que analisava a proletarização de Bogotá.



Voltando a Bogotá em 1959, foi nomeado capelão da Universidade Nacional. Ali, juntamente com outros participantes, fundou a Faculdade de Sociologia, onde, durante algum tempo foi professor. Em 1961, Camilo Torres começou a ter problemas com o Cardeal Luís Concha Córdoba, que não via com bons olhos os seus trabalhos. Foi, então destituído do cargo de capelão, das atividades acadêmicas e das funções administrativas na Universidade Nacional. 
Na tentativa de afastá-lo do mundo acadêmico, o cardeal o nomeou administrador paroquial de uma paróquia na periferia de Bogotá. Mas, Camilo não renunciou ao seu engajamento social. Em 1965 foi pressionado, pelo alto clero, a renunciar ao ministério sacerdotal. E em 27 de julho de 1965 celebra a sua última missa. Em sua “Mensagem aos cristãos”, pouco tempo depois, já integrado no ELN, declara: “Deixei os privilégios e deveres do clero, porém não deixei de ser sacerdote. Creio que me entreguei à revolução por amor ao próximo. Deixei de rezar missa para realizar este amor ao próximo, no terreno temporal, econômico e social. Quando meu próximo não tiver mais nada contra mim, quando tenha  realizado a revolução, voltarei a oferecer missa, se Deus me permitir. Creio que assim sigo o mandamento de Cristo: ‘quando levares tua oferenda ao altar, e ali te lembrares que teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua oferenda sobre o altar, e vai reconciliar-te com teu irmão, e então volte e apresente tua oferenda’(Mt 5, 23-24). Depois da revolução, os cristãos teremos  a consciência de que estabelecemos um sistema que estará orientado para o amor ao próximo”.


Livre das imposições canônicas, Camilo intensificou a sua participação política, criando a “Frente Unida do Povo”, como contraponto ao duvidoso “Pacto Nacional”, celebrado entre liberais e conservadores. Já em 1964, quando o Governo bombardeou a região de Tolima com napalm, Camilo havia tentado um contato com o grupo de guerrilheiros, que dariam origem, em 1966, às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, (as FARC). Mas o diálogo com este grupo revolucionário comunista não progrediu. Menos complicado foi o contato com o ELN (Exército de Libertação Nacional, criado em 1964). Entretanto, Camilo fortalece a “Frente Unida do Povo” e cria o jornal semanário da “Frente Unida”;  convoca o povo para  as praças públicas, e prega a abstenção nas próximas eleições,  como posicionamento revolucionário.
O sucesso político de Camilo cresce vertiginosamente, e as pressões governamentais aumentam. Acusam-no de subversivo. Assim pressionado, resolve colocar-se a serviço dos comandantes do Exército de Libertação Nacional.
Nos últimos meses de 1965, o padre guerrilheiro Camilo Torres envia mensagens aos cristãos, aos militares, aos camponeses e à Frente Unida do Povo. E em 15 de fevereiro de 1966 Camilo Torres morre em combate. Era a primeira ação guerrilheira armada de que participava. Até hoje não se sabe onde o exército colombiano enterrou seu corpo.



Os ideais de Camilo Torres
Camilo Torres considerava que quem definia o caráter pacífico ou violento da sociedade não era a classe popular, mas, sim, a classe dos governantes. Assim, propôs um “projeto de libertação” no qual podiam participar todos os homens e mulheres da Colômbia, guiados por uma opção chamada, por Torres, de “o amor eficaz para todos”. Sua ação e pensamento se converteram num convite permanente para a luta, para que “a próxima geração não fosse mais de escravos, mas de homens livres”.

Como Camilo Torres chegou a estas suas conclusões?
Desde cedo, Torres manifestava sua compaixão para com os oprimidos. Ainda criança, e vivendo com seu pai médico, distribuía as amostras grátis dos remédios que o pai recebia entre os trabalhadores de uma cerâmica, não muito distante de sua casa. O dinheiro que recebia para ir ao cinema o dava a crianças pobres das favelas. Quando abandona o curso de Direito, para entrar no seminário, declara que havia compreendido que “a vida, assim como a vivia e entendia, não tinha sentido”. Por isto desejava ser padre para se tornar um “servo da humanidade”, pois descobrira que “o cristianismo era um caminho totalmente concentrado no amor ao próximo”.
Mais tarde, quando lhe perguntaram por que deixara o ministério sacerdotal, respondeu: “Abandonei o ministério sacerdotal (não o sacerdócio, pois este é eterno!) pelas mesmas razões pelas quais me comprometi com ele. Descobri o cristianismo como uma vida centrada totalmente no amor ao próximo; dei-me conta de que valia a pena comprometer-me com este amor nesta vida. Escolhi o sacerdócio para converter-me em um servidor da humanidade. Foi depois disto que compreendi que, na Colômbia, não se pode realizar este amor simplesmente por beneficência, mas que era urgente uma mudança de estruturas políticas, econômicas e sociais, que exigiam uma revolução, à qual este amor estava intimamente ligado. Mas, desgraçadamente, enquanto minha ação revolucionária encontrava uma resposta bastante ampla no povo, a hierarquia eclesiástica, em um determinado momento, tentou calar-me, contra a minha consciência que, por amor à humanidade, me levava a defender tal revolução. Então, para evitar qualquer conflito com a disciplina eclesiástica, solicitei a dispensa da minha sujeição a estas leis. Não obstante, me considero sacerdote até a eternidade, e entendo que meu sacerdócio e seu exercício se cumprem na realização da revolução colombiana, no amor ao próximo e na luta pelo bem-estar das maiorias”. Para ele, a pura beneficência, a caridade, as esmolas nada mais são do que “a bebida que se dá ao tuberculoso para que pare de tossir”.


Naturalmente, com este apelo revolucionário, surge a pergunta: o que Camilo Torres entende por revolução?
Em diversos momentos ele se explica, e diz: “(Entendo por revolução) uma mudança fundamental (e rápida) das estruturas econômicas, sociais e políticas. Considero essencial a tomada do poder pela classe popular, pois a partir dela surgem as realizações revolucionárias, que devem priorizar a propriedade da terra, a reforma urbana, a planificação integral da economia, o estabelecimento de relações internacionais com todos os países do mundo, a nacionalização de todas as fontes de produção, dos bancos, dos transportes, dos hospitais, dos serviços de saúde, assim como outras reformas que sejam indicadas pela técnica, para favorecer as maiorias, e não as minorias, como acontece hoje em dia”.
Camilo Torres considera que, nesta revolução, o fundamental a se conquistar é a mudança da estrutura de poder, retirando o poder das mãos da oligarquia e colocando-o nas mãos do povo. E quem dirá se esta tomada de poder será pacífica ou violenta são as oligarquias. Se as oligarquias quiserem entregar o poder pacificamente, o povo o tomará pacificamente; mas, se apelarem para a violência, terão violência. Mas, antes de apelar para a violência, diz Camilo, devem se esgotar todos os caminhos pacíficos. No entanto, ele não confia muito em que as oligarquias entreguem o poder sem luta. Contudo previne que, antes de se apelar para ações revolucionárias violentas, a doutrina social da Igreja ensina que é necessário verificar quais as conseqüências de tais ações. Evidentemente, os resultados não poderão piorar a situação que se pretende corrigir. Para ele, a mudança das estruturas de poder na Colômbia devem mudar de qualquer forma, pois o perigo de piorar é muito pequeno, observando-se o número de crianças que morrem de fome, as meninas menores na prostituição, os constantes massacres, a violência e a miséria generalizadas em todo país, ao lado de minorias opressoras, coniventes com o imperialismo americano e sempre mais ricas.

Frente aos jornalistas, Camilo Torres, muitas vezes, teve que justificar sua atitude revolucionária, já que era cristão e padre. Dando suas explicações, ele diz: “Sou revolucionário como colombiano, como sociólogo, como cristão e como padre. Como colombiano, porque não quero ficar distante da luta de meu povo. Como sociólogo, porque minhas intuições científicas, em relação à realidade, me convenceram que é impossível chegar a soluções efetivas e adequadas sem uma revolução. Como cristão, porque o amor ao próximo é a essência do ser-cristão, e o bem-estar da maioria não se consegue sem a revolução. Como sacerdote, porque a entrega ao próximo, que exige a revolução, é um requisito da caridade fraterna, indispensável para celebrar a missa, que não é uma oferenda individual, mas de todo o povo de Deus por intermédio de Cristo”
O amor que Camilo pregava devia ser um amor eficaz, pois “a fé sem obras é morta” (Tg 2,17).

O texto que ele, muitas vezes, citava era o do Evangelho segundo Mateus 25,31-46, onde Cristo coloca os critérios de julgamento no juízo final: “Tive fome e me destes de comer...”. Para Camilo, este texto somente cria valor se nos perguntarmos, nas circunstâncias concretas de nossa realidade, de que maneira somos capazes de dar de comer à maioria dos famintos, vestir a maioria dos desnudos, a abrigar a maioria dos sem-teto. E isto, segundo sua convicção, na Colômbia não se conseguiria sem reformas estruturais profundas em favor das maiorias. E se a revolução for necessária para realizar o amor ao próximo, o cristão deve ser um revolucionário.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Instituto Raízes faz a animação em Encontro Pastoral


O Instituto Cultural Raízes, participou no último sábado dia 18 de junho de 2016 de Encontro Pastoral da Diocese de Floresta.

O Encontro realizou-se no Centro de Formação da Diocese, na cidade de Floresta e, o Instituto Raízes foi convidado a apresentar sua experiência de trabalho sócio cultural no município e em especial na Comunidade do Bairro do Vulcão, onde reúne crianças, adolescentes e jovens, numa ação inovadora e pioneira de resgate e preservação das tradições culturais do povo afrobrasileiro.

Após a apresentação o Instituto Raízes animou o Encontro com muito Coco de Roda tocado pelo Grupo Sou da Terra (mais recente projeto lançado pelo Instituto) que reúne as influências do Coco, do Maracatu e do Afoxé, bem como de vários artistas regionais.

domingo, 19 de junho de 2016

Instituto Raízes participa de evento sobre Diversidade Religiosa em Petrolândia


Na última sexta-feira dia 17 de junho de 2016, o Instituto Cultural Raízes participou na EREM Maria Cavalcanti Nunes, na cidade de Petrolândia/PE, do encerramento da 1ª Semana Humaniza EREM, organizada pela Professora Jussara Araújo e as turmas do 2º e 3º ano.

A atividade girou em torno da necessidade de que haja a compreensão e tolerância em relação a existência das religiões, dando ênfase especial às religiões de matriz africana.

O Instituto Raízes, participou com o Grupo Afoxé Filhos de N'Zambi o qual trouxe para o público uma sequência de cantos e cantigas voltadas para os Orixás e para a valorização das tradições culturais afrobrasileiras.

Foi mais uma oportunidade para mostrar a experiência do trabalho desenvolvido pelo Instituto Raízes em Floresta e região, sendo uma referência no que diz respeito a Cultura Popular e, especialmente afrobrasileira.

sábado, 11 de junho de 2016

Instituto Raízes tem encontro com Bispo Diocesano de Floresta


Na sexta feira, dia 10 de junho de 2016, o Instituto Cultural Raízes foi recebido pelo Bispo Diocesano de Floresta, Dom Gabriel Marchesi e equipe pastoral.

O encontro ocorreu no Centro de Formação da Diocese à pedido da Diretoria do Instituto Cultural Raízes.

Estiveram presentes representando o Instituto Cultural Raízes: Libânio Neto, Márcio Lima, Marciano Lima, Igor Roam, Priscila Nascimento e Mônica Alves.
Representando a Diocese de Floresta, estiveram presentes (além do Bispo Dom Gabriel), o Padre Giovanny Malacrida, a Irmã Luciana pelo setor de juventude e Alaide Araújo, representando o Projeto Cultura de Paz.


Na pauta do encontro, o agradecimento por parte do Instituto Cultural Raízes pelos convites feitos pela Diocese em vários momentos especiais, especialmente no aniversário dos 50 anos da Diocese e a Caminhada da Paz, que se realizou no último dia 29 de maio.

"Quando Dom Gabriel representando a Diocese nos convida, está valorizando as tradições culturais do povo afrobrasileiro, expressada no Afoxé e no Maracatu de Baque Virado, bem como está reconhecendo a importância do trabalho que realizamos em Floresta e região. Atitudes assim nos deixa profundamente agradecidos e estimulados a seguir em frente, além de que aumenta nossa responsabilidade por manter vivo o nosso projeto", afirmou Libânio Neto, Diretor Presidente do Instituto Cultural Raízes.

Outro ponto importante do diálogo foi a possibilidade real de construção de parceria entre a Diocese de Floresta e o Instituto Cultural Raízes, no sentido de fortalecer as ações junto à juventude, a partir da valorização das tradições culturais e da prática relacionada com as políticas públicas de juventude.

"Foi um encontro extremamente satisfatório, onde dialogamos de forma aberta e encontramos inúmeras razões de caminharmos juntos e, acredito que os próximos passos vão proporcionar uma experiência inovadora e pioneira na ação pastoral da Diocese de Floresta e na vida do Instituto Cultural Raízes", completou Libânio Neto.