MENSAGEM DE ANO NOVO

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domingo, 26 de junho de 2016

O pequeno Benício, mais uma vítima da sociedade em que vivemos


Pouco mais de um ano depois, republico este texto sobre minha indignação em relação à morte do pequeno Benício. Para que não se esqueça.


REVOLTANTE!
ME SINTO INDIGNADO!

Por isso quero fazer uma reflexão bastante objetiva.

Lamento profundamente que crimes como esse venham a vitimar uma criança, à exemplo de tantos outros pelo nosso país afora, ultrapassa as fronteiras de Belém do São Francisco e, nos agride por estar tão perto de nós.

O que tragicamente ocorreu com o pequeno Benício, é resultado de uma realidade cada vez mais cruel que vivenciamos, numa sociedade que caminha a passos largos para seu próprio extermínio e, vários são os fatores que compõem essa realidade gritante e, aqui quero elencar alguns.

Em primeiro lugar, se faz necessário refletir amplamente que são inúmeras as crianças vivendo em abandono ou quase abandono. Em geral filhos de pais/familias que vivem em situação de miséria, excluídos da sociedade de consumo, abandonados pelos poderes públicos e, rejeitados pela sociedade elitizada, que por essa razão vivem pelas ruas a mendigar dinheiro, comida ou até mesmo atenção. Muitas vezes passamos por essas crianças e não as enxergamos, porque estamos muito ocupados com nossas prioridades particulares e individualizadas.

Segundo, a situação de rua expõe essas crianças ao risco permanente de sofrerem violência e abusos, que em muitos casos começam dentro da própria casa.

Terceiro, as instituições da sociedade não cumprem o papel de preservar a vida, pois as famílias (em sua maioria) estão destruídas; à escola não tem sido espaço de formação cidadã; os setores governamentais ajudam muito pouco, pois exercem uma função paliativa, cujos recursos investidos são mínimos, os seguimentos jurídicos estão limitados por legislações que não inibem o crime, pois a certeza da impunidade fala mais forte.

Por fim, o sistema que predomina em nossa sociedade é excludente e, crianças pobres como o pequeno Benício, teve sua morte decretada já ao nascer e, isso nós não percebemos. Nos impacta quando toma sua forma trágica e violenta, como que uma forma de nos sacudir, de nos fazer pensar.

Temos uma grande parcela de responsabilidade em lutar e combater para que outros Benícios não venham a ser manchete policial, de um crime bárbaro e inaceitável.

Devemos ser capazes de olhar de forma mais atenta para quem está sendo excluído dia-a-dia e, nos dispormos a fazer algo que possibilite desenhar um presente e um futuro diferente do que está evidenciado nas condições atuais.

Podemos e devemos também cobrar dos que tem muito a fazer, à exemplo dos poderes públicos e dos que detém a maioria das riquezas,  para que priorizem de uma vez por todas a realização de ações concretas que acabem com a miséria que atinge muitos de nossos irmãos; que possibilite salvar vidas; que permita que as pessoas hoje excluídas, possam ter a oportunidade de construir uma vida melhor.

Precisamos escutar os gritos de Benício, por justiça, por ajuda, pelo direito à vida.

Precisamos proteger nossas crianças!

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