PONTO DE PARTIDA

PONTO DE PARTIDA

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Instituto Raízes divulga a 8ª Semana da Consciência Negra


Seguindo a tradição que vem desde o ano de 2009, o Instituto Cultural Raízes já se organiza para a realização da 8ª Semana da Consciência Negra em Floresta, que acontecerá do dia 20 ao 27 de novembro de 2016.

A programação incluirá palestras, rodas de diálogo, oficinas de percussão e danças, além de apresentações dos grupos de Maracatu e Afoxé, que serão realizadas em escolas municipais e estaduais, no município de Floresta e em outros municípios da região.

O ponto alto da semana será o dia 26 de novembro com a realização da celebração da Consciência Negra, a partir das 4 horas da tarde, com concentração na praça do Bairro do Vulcão, de onde sairá um grande Cortejo Cultural pelas principais ruas da cidade, com destino à Igreja do Rosário, no centro histórico da cidade.

Ainda na noite do 26 de novembro, haverá uma série de apresentações culturais na quadra poliesportiva do Bairro do Vulcão, com a participação de vários grupos culturais da região.

Nesse ano o Instituto Cultural Raízes estará prestando duas importantes homenagens, sendo uma a Nação do Maracatu Porto Rico, pelos 100 anos de história e, a outra homenagem é ao Mestre dos Mestres, o percussionista Naná Vasconcelos, falecido em março de 2016.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O dia em que os canalhas venceram

O dia 31 de agosto de 2016, entra para a história do Brasil, como a data em que se decretou mais um golpe na trajetória política de nosso país.

Concluindo a etapa da trama sórdida que gestaram após a derrota nas últimas eleições de 2014, senadores aprovaram o impeachment da Presidenta Dilma Roussef, assim como fizeram os Deputados Federais em aceitar a denúncia.

Um processo onde ficou totalmente evidenciada a decisão previamente tomada de afastar em definitivo a Presidenta Dilma, "pondo fim" a um mandato democraticamente constituído.

Durante toda a farsa do julgamento, não importava os argumentos da defesa, pois a decisão já estava tomada, criou-se apenas um teatro, denominado de julgamento, que não levou em consideração as provas favoráveis a Dilma.

Do crime, pedaladas fiscais e decretos orçamentários, crime não é, pois os presidentes anteriores agiram da mesma forma, a maioria dos governadores e a maioria absoluta dos prefeitos, o fazem.

Se não houve crime (e realmente não houve), condenaram injustamente. Condenaram unicamente por causa do jogo do poder, dos interesses que estão no cerne desse processo, que é acabar com várias conquistas sociais e trabalhistas e, entregar nossa economia nas mãos dos interesses dos grandes empresários e donos do dinheiro nacionais e estrangeiros.

Querem promover privatizações, vender nosso patrimônio e colocar os mais pobres no lugar que os poderosos e ricos querem, ou seja, fora do "convívio social" à margem da sociedade, excluídos e abandonados.

Por outro lado, o afastamento de Dilma tem outra finalidade, salvar os políticos corruptos do PMDB, PSDB, DEM, e de outros partidos aliados, de serem julgados e condenados pelos seus atos de corrupção.

Viveremos daqui pra frente, dias tenebrosos em que só restará a sociedade organizada se mobilizar e lutar sem trégua contra esse "governo" golpista e descarado do Michel Temer.

Vidas em Risco

Imagens colhidas na Internet
A cada dia que passa é crescente o número de adolescentes vivendo com comportamentos de risco e de exposição sem limites.

São inúmeros os casos de adolescentes utilizando bebidas alcóolicas (especialmente em festas), consumindo outros tipos de drogas, praticando sexo sem qualquer orientação ou consciência dos riscos e, expondo sua "privacidade" nas redes sociais.

Uma geração que está a passos largos se jogando na "curtição" tal qual pulassem de um abismo, cujo resultado final (se não mata) pode deixar grandes sequelas.

Para nós que realizamos um trabalho sócio-educativo e cultural, essa realidade tem se constituído num imenso desafio, que vem causando algumas perdas, em que pese todo o nosso esforço em orientar e estimular a visão crítica diante da realidade.

Os grandes responsáveis por essa situação caótica que vive grande parte de nossos adolescentes, são (ao nosso ver), em primeiro lugar a grande mídia (sobretudo a televisão) e as redes sociais, as quais transmitem e publicam como normais, os mais diversos comportamentos ou atitudes que devem ser colocadas em prática pelos adolescentes e jovens.

A propagação de costumes/práticas expressas nas telenovelas, filmes e seriados, trazem a idéia que tudo é permitido, que tudo pode e deve ser feito em busca do prazer e da "felicidade".

O mercado produtor de músicas (se assim podem ser chamados alguns ritmos atuais), investe principalmente em alguns gêneros que expõem a sexualidade de forma irresponsável (nas letras das músicas e suas correspondentes coreografias), que são rapidamente absorvidos pelo público jovem, levando (inclusive) a serem reproduzidos em espaços escolares (os quais deveriam ser espaços de reflexão e de busca de referências culturais positivas.

Outro grande responsável são os promotores de eventos (públicos ou privados) que contratam bandas e artistas com repertórios de baixa qualidade, que contribuem significativamente para que nossos jovens exerçam de forma aberta e sem limites, seus "comportamentos" moldados pela mídia.

Por último, temos os poderes coercitivos que não funcionam nesses casos, pois não são tomadas nenhuma medida (apesar da existência de diversas leis), que impeçam adolescentes de consumirem álcool ou outras drogas em festas e eventos, tais como shows, tendas eletrônicas, etc.

As consequências desses "comportamentos" sem limites, são vários e, nós conhecemos alguns: violência, agressividade, assédio, gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis, entre outras.

Por último sobra para a família, que em muitos casos já se encontra desagregada, onde pais e mães já não tem mais controle da situação e, em outros não são exemplos positivos para seus filhos, pois já foram consumidos pelo mesmo mal.

Costumo ouvir de algumas pessoas: ...os jovens gostam é dessa música, dessa banda, desse artista, dessa dança, por isso temos de atender os gostos deles(as)...

Outras vezes escuto: ...não podemos fazer nada...

Eu sou daqueles (poucos talvez) que acredita que é possível fazer algo diferente sim. Que é possível apresentar aos adolescentes e jovens, opções diferentes de lazer, como a cultura popular e de raiz, o esporte e o aprendizado de costumes e comportamentos que os ajudem na formação cidadã.

Do contrário, continuaremos tratando às questões dos adolescentes e jovens, apenas como estatísticas, enquanto vidas se perdem.



Ditadura NÃO!


Acompanho desde o ano passado aqueles que eram os "protestos" contra o Governo Dilma, contra a corrupção e etc.

Sou daqueles que acho mais do que louvável que às pessoas possam ir às ruas, questionar, divergir nas opiniões, criticar.

É claro que depois do golpe dado com o afastamento da Presidente Dilma, esses mesmos manifestantes sumiram, mostrando assim qual é era a verdadeira intenção ou interesses.

No entanto, diante de tudo que vi, me surgiu a necessidade de fazer uma breve reflexão sobre um ponto específico (destacado nas fotos).

Aqueles(as) que foram às ruas pedir o fim da democracia, a intervenção militar e falar contra Cuba, o Comunismo, Paulo Freire e a Conscientização, muitos deles jovens, o fizeram ao meu ver por duas "razões".

Primeiro, a "razão" daqueles(as) que foram beneficiados na época da Ditadura, que se identificaram com o projeto de repressão ou atuaram a seu serviço, que por sua vez são saudosistas.

Segundo, a "razão" dos(as) que não tem qualquer compreensão ou noção do que realmente significou aquele período obscuro e tenebroso da vida de nosso país.

Onde essas duas "razões" se encontram? na cegueira ou na imbecilidade de achar que num período ditatorial teriam liberdade para protestar sem que fossem pisoteados por cavalos, agredidos, presos, torturados e mortos, como ocorreu com vários brasileiros(as) que ousaram se opor ao regime militar.

É certo que os jovens que empunharam cartazes e faixas pedindo intervenção militar, não conhecem a história política do Brasil ou pelo fato de pertencerem a um setor "privilegiado" da sociedade se aventuram com tamanha insensatez.

As conquistas que alcançamos (em especial a oportunidade de retomar as vias democráticas na vida política do país) devem ser defendidas por todos(as) aqueles(as) que não querem ver um retrocesso nos rumos de nossa pátria amada.

Brasil, crise atual - quem é responsável?


O nosso país, historicamente tem vivido inúmeras crises e, vai e volta surgem períodos em que atingem o seu alge.

Vivemos um momento em que atingiu o seu nível máximo o conjunto de pragas que fazem parte da vida pública, como a corrupção, o clientelismo, a troca de favores, entre as diferentes escalas dos poderes, associados com a ganância, a sede de poder, pelo poder, o autoritarismo e os desmandos em geral.

O que é pior, é que esse conceito está alimentado e se perpetua na sociedade como um todo, a partir do slogan "jeitinho brasileiro".

O chamado jeitinho brasileiro, criado pelos donos do sistema e estendido como conceito junto à população é o grande responsável por esse mar de lamas que repetidas vezes vemos ser mergulhado nosso lindo e grande Brasil.

É com esse conceito de fazer as coisas "por debaixo dos panos" que políticos em tempo de eleição e cidadãos/eleitores estabelecem seus entendimentos e "acordos" em troca do voto que acaba garantindo mandatos e blindagem especial a muita gente descarada e corrupta.

A corrupção, o autoritarismo, a violação de direitos, a mentira e a enganação, estão impregnados na nossa vida desde o início da formação do pais chamado Brasil e, conseguem (com muita habilidade) se renovar de tempos em tempos. Mudam de roupa, mudam de cara, mudam de partido, criam novos partidos, más não mudam a essência das coisas.

Políticos e outras autoridades (em sua maioria), empresas e o cidadão comum, têm como entendimento padrão que não se consegue crescer e ter poder nesse país, se não mentir, enganar e roubar.

"O mundo é dos mais espertos" ouvimos isso desde pequenos e crescemos achando que ser esperto é ser capaz de enganar os outros, pra poder se dar bem.

Fui militante e dirigente do PT-Partido dos Trabalhadores de 1987 até o momento em que estourou o esquema do mensalão. Confesso que perdi o encanto quanto a um partido que se propunha a algo diferente e que acabou (por conta de alguns integrantes) mergulhando na mesma prática dos demais partidos.

E diga-se de passagem ainda tem muita gente séria no PT e alguns outros poucos partidos. O problema está na concepção sobre as formas de manter o poder ou de como se chegar a ele.

O erro estratégico do PT, se localizava em dois aspectos (ao meu ver), o primeiro foi ter abandonado à organização de base (caracteristica mais forte de sua criação) e, o segundo foi pensar que seria possível manter-se no poder (governo) fazendo alianças espúrias e adotando às mesmas "formas" de levantar recursos, repetidas por outros partidos.

Vale ressaltar também, que não é obra exclusiva do PT a criação do mensalão ou de formas de corrupção em estatais como no caso da Petrobras.

Não aceito essa idéia (em prática) de criminalizar o partido, pois pela história de surgimento do PT e pela história de luta e de vida de muita gente séria que continua segurando a bandeira em suas fileiras, o PT merece respeito.

Nenhum partido é isento de corrupção, dos menores aos maiores, todos para chegar a ocupar parcela de poder, entram em "jogadas por fora" entram em "esquemas e negociatas à margem da lei".

O PMDB, o PSDB, o DEM e demais partidos aliados não tem moral suficiente para tentar criminalizar um partido inteiro.

O afastamento da Presidente Dilma, às investigações e prisões seletivas, toda essa carga da mídia e dos setores dominantes, servem exclusivamente para encobrirem muito mais sujeira do que as que são atribuídas ao PT.

Que seja investigado ao extremo e que os responsáveis sejam realmente punidos, más se quisermos passar a limpo a história do Brasil, ou da corrupção no Brasil, não podemos esquecer dos que antecederam o governo petista e, os que ainda hoje continuam praticando a corrupção e demais atos repudiáveis.

Esse caos e essa marca negativa de nosso Brasil e, particularmente dos políticos e de outros setores dominantes só terá solução, quando a maioria da população for consciente em seus atos, tiver a formação e a educação necessária para não se submeter ao jogo sujo da compra e venda de votos, quando aprendermos que não se constrói um país digno com atitudes corruptas.
Quando isso irá acontecer, não sei ao certo. Só sei que acredito ser possível mudar, transformar e, construir uma nação que tenha como base principal de seu desenvolvimento: o ser humano, o bem social, oportunidades iguais e práticas administrativas corretas.

Isso é cultura ou degradação moral?


Nos últimos anos tem se intensificado em nosso país várias formas de "expressão musical" tais como o funk e a swingueira, entre outras imbecilidades do tipo, caracterizadas pela apelação sexual, colocando às mulheres como objeto de consumo e, de forma degradante a partir de determinadas coreografias e palavras que comprometem até mesmo do ponto de vista moral.

O duplo sentido e a sensualidade sempre estiveram presentes em vários ritmos musicais e, isso é inerente ao povo brasileiro e latino em especial.

Más, uma coisa é a sensualidade, e outra coisa totalmente diferente é a vulgarização.

Não consigo conceber que (dizendo claramente) putaria seja associada com musicalidade e muito menos com cultura.

Na minha compreensão do que é cultura não cabe tratar a mulher de "cachorra" e outros adjetivos semelhantes como algo normal.

Também não considero que coreografias que simbolizam posições sexuais seja proclamadas como danças.

Todo esse processo que é alimentado pela mídia de consumo e que é assimilado por pessoas influenciadas, comprometem a educação e a formação pessoal (especialmente) de crianças e adolescentes, deturpando o aprendizado e a compreensão sobre a sexualidade e sobre o respeito para com o outro.

As "letras" de determinadas "músicas", sobretudo de funk (em sua maioria), estimulam a violência, o sexo irresponsável, a agressividade, o consumo de bebidas alcoolicas/drogas e outras questões extremamente negativas. Não é por acaso que vemos tantos casos de violência e indisciplina entre crianças, adolescentes e jovens (inclusive nas escolas).
Não é por acaso que se registram tantos casos de gravidez na adolescência.
Não é por acaso que cresce o consumo de álcool e outras drogas entre adolescentes e jovens.
Não é por acaso que as doenças sexualmente transmissíveis tem aumentando entre jovens.

Não basta dizer que esses males que atingem os adolescentes e jovens é resultante apenas da questão social desfavorável. Trata-se (antes de tudo) de uma questão educacional, de uma questão de formação cidadã.  


Certamente, alguns irão dizer que estou equivocado, que isso é cultura e, que devemos respeitar o gosto dos outros.

Eu aqui afirmo que não se trata apenas de respeitar o gosto dos outros e, sim de analisar do ponto de vista pedagógico qual o efeito danoso que isso tudo tem sobre as pessoas.

Não sou conservador, apenas busco diferenciar as práticas e refletir a partir dos fatos que acontecem no dia-a-dia.


O que mais me preocupa e me entristece (ao mesmo tempo) é ver que esse lixo cultural é reproduzido também em ambiente escolar. Num espaço que deveria formar e ajudar a refletir e identificar as formas corretas de expressão de musicalidade e cultura a partir das raízes etnicas que compõem a nossa formação social. É inaceitável!

É um sinal agravante de que muita coisa precisa ser revista e corrigida a partir da escola. Caso contrário, o que podemos esperar das novas gerações que estão sendo "formadas"?

Se faz necessário termos a coragem de enfrentar esse desafio de resgatar os valores indispensáveis para uma formação adequada e de qualidade. De resgatar o que é realmente cultura.

A cultura de massa: manipulação e alienação


Quando o capitalismo ainda não era o modelo econômico vigente no mundo, a cultura popular era vista como um conjunto de manifestações humanas que exemplificam as crenças, os mitos, os símbolos, as imagens, a arte, o folclore, os hábitos e os valores.  A partir da Revolução Industrial e, consequentemente, a implantação do capitalismo, a cultura popular se bifurcou, criando, assim, um novo seguimento, a cultura de massa.

A cultura de massa é uma MERCADORIA, que visa sempre GERAR O LUCRO. Os produtos são muito parecidos, perdendo assim a sua individualidade. As pessoas, que antes eram importantes para a produção cultural, limitam-se a apenas exercer o papel de consumidoras, tornando-se secundárias nesse sistema. Além disso, elas também perdem a autonomia. Os indivíduos passam a querer um determinado produto não pela necessidade, mas por todos terem.

Existe um sistema bem montado que mantém essa famigerada cultura de massa que se vale, sobretudo, da grande mídia (televisão, rádios, internet, produtoras), como sua indústria. Cujos produtos fabricados são ritmos, danças, ídolos, modas e costumes.

De meados da década de 80 até os dias atuais, temos vivenciado diversos ciclos de consumo "musical", que sofrem alterações (sempre para pior), com o único intuito de manter a clientela formada especialmente por pessoas sem muita informação ou formação, as quais não tem compreensão e nem mantém qualquer vínculo com suas raízes culturais.

Vale à pena ressaltar que todo esse sistema atende a um sistema maior de dominação social que prefere que às pessoas sejam alienadas e se tornem imbecilizadas, ávidas a consumir sem nenhuma capacidade de refletir.

Um dos pontos altos desse sistema de consumo são as grandes festas à exemplo do Carnaval, principalmente nos grandes centros como o Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, entre outros, que reproduzem toda essa manipulação de massas, deixando pouco ou quase nenhum espaço para as manifestações culturais emanadas das tradições do povo.

Outro ponto alto, são as festas juninas (especialmente no nordeste brasileiro), que estão a cada ano sofrendo toda uma carga de descaracterização, onde temos visto de forma acintosa a invasão de artistas e bandas sem qualquer identificação com a tradição junina, com cachês absurdos e desproporcionais em relação a artistas e grupos regionais.

O pior é ver isso reproduzido em larga escala pelo país afora, inclusive nos municípios de menor porte.

O que é mais impressionante é que esse sistema não é só privado, também recebe a grande parcela de colaboração do poder público, arcando com o custo (cachê, palco, som e outras despesas) dessas grandes festas, gastos esses que não tem retorno social, que não ajudam a solucionar os grandes problemas da população dos municípios e dos estados.

Lamentável ainda é ver que grande parte da população é alienada quanto a essas questões e, aplaudem o circo montado, alimentando o ciclo vicioso dos que acham e afirmam que "o povo gosta é disso mesmo: do que está na mídia e na moda".

Quando passa a "festa" todos tem que se deparar com a realidade e contabilizar o que falta: saúde e educação de qualidade, trabalho com remuneração digna e justa, habitação, saneamento e tantas outras coisas indispensáveis para se viver bem.

O NOVO E O VELHO


“Nós estávamos numa colina e vimos quando o velho, se aproximava, mas ele vinha como se fosse o novo, disfarçado.

Arrastava suas novas muletas e exalava novos odores de putrefação.

A pedra passou rolando como a mais nova invenção e os gritos dos gorilas batendo no peito deveriam ser as mais novas composições. Em toda a parte viam-se túmulos abertos enquanto o novo marchava sobre a capital.

Ao lado dele estavam os que gritavam: “ Aí vem o novo, tudo é novo, saúdem o novo, sejam como nós”!

Assim marchou o velho travestido de novo, e no seu cortejo triunfal levava consigo o novo, mas o exibia como se fosse o velho.

O novo vinha preso e coberto de trapos, mas nem mesmo as correntes e os farrapos impediam de ver que ele era o novo, derrotado, mas não vencido.
O cortejo movia-se na noite e os gritos de “aí vem o novo, tudo é novo, saúdem o novo, sejam novos como nós”, seriam ainda ouvidos se não fosse o trovão das armas e os gritos dos assassinados”.