MENSAGEM DE ANO NOVO

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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O dia em que os conspiradores golpearam a democracia


No último domingo dia 17 de abril de 2016, assisti a um espetáculo bizarro, revoltante e entristecedor.

Os deputados federais reunidos (em sua maioria) para promover um verdadeiro e repudiável carnaval, para votar favoravelmente ao impeachment da Presidente Dilma Roussef.

Após vários dias de "reuniões" da Comissão do Impeachment, onde os deputados foram convocados a irem ao Congresso até aos sábados e domingos (fato inédito na história do parlamento brasileiro), demonstrando a pressa existente entre aqueles que promovem o golpe institucional, chegaram ao dia 17, num clima festivo, trazendo pessoas da família, comemorando cada voto a favor como se fosse um gol num estádio de futebol.

Na declaração dos votos a favor do impeachment (GOLPE), várias declarações: pela família, pelos filhos, pelas esposas, contra a corrupção, fora Dilma, por Deus, pelo povo, pelo meu estado, pelo meu partido e a mais abominável de todas, que foi a do Bolsonaro, homenageando um dos maiores torturadores do regime militar no Brasil.

O mais incrível é que se falou praticamente de tudo, menos do teor da falsa acusação, até porque decretos de suplementação financeira e as chamadas "pedaladas fiscais" foram praticadas por presidentes anteriores, são praticadas pela maioria dos governadores e, são praticadas pela maioria absoluta dos prefeitos e, nem por isso estão respondendo a processos de impeachment.

A hipocrisia andou solta no plenário da Câmara dos Deputados, revestida de um claro tom de ódio, rancor, raiva e uma sanha sem limites de por fim ao governo de uma mulher, contra a qual não pesa nenhuma acusação que concretamente signifique crime de responsabilidade, conforme prevê a Constituição Federal.

Dos 367 deputados que votaram a favor do GOLPE, a maioria responde a processos na justiça e, dentre esses, vários são citados na operação lava jato.

O próprio presidente da Câmara dos Deputados, o famigerado Eduardo Cunha, é réu em processo no STF, recebedor de propinas, responsável por crimes eleitorais e ainda mantém contas (que eram secretas) na Suíça.

O que me levou a refletir sobre como pode acontecer de políticos (em sua maioria) mais sujos do que pau de galinheiro, se arvorarem a julgar alguém.

A resposta me vem de uma reflexão, onde claramente se vê que há todo um processo muito bem orquestrado entre os vários setores empresariado, do legislativo, do judiciário e de vários partidos políticos, que conspiram na surdina e em público através dos meios de comunicação (a eles aliados), para por fim a um Governo constituído pelo voto popular.

Na estratégia do GOLPE a quebra de direitos sociais e trabalhistas já conquistados, privatizações e a entrega do Brasil ao capital estrangeiro, entre outros males.

Dos 137 votos contrários, vimos declarações de firmeza, contra o GOLPE, em favor da democracia, pelo respeito ao voto popular e, de denúncias contra os principais corruptos ali presentes.

É claro (e não sou alienado) que alguns dos deputados que votaram a favor de Dilma e da Democracia, respondem a processos judiciais ou são citados em casos de corrupção. Também tenho consciência que em geral a maioria dos políticos votam de acordo com seus interesses, os quais muitas vezes não vem a público.

No entanto, quero elogiar a coragem e determinação daqueles e daquelas que em meio ao circo armado, diante de um verdadeiro "corredor polonês" (composto pela tropa de choque do canalha-mor Eduardo Cunha), mantiveram seu voto contra essa aberração jurídica e, sobretudo política, de tirar da presidência das mãos de uma mulher de luta contra a qual não tem uma acusação convincente.

A história não perdoará os que de forma oportunista, apostam no GOLPE contra a já frágil democracia brasileira. Quem viver verá!

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