MENSAGEM DE ANO NOVO

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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Brasil: O país onde a bunda vale mais que a mente


É profundamente lamentável e entristecedor, ver que a cada dia só aumenta essa onda alienante e absurdamente deplorável, que coloca a mulher como objeto sexual (de consumo).

Com a proximidade do carnaval vemos com tristeza chegar os novos "ritmos" ou a repetição de anteriores, sempre abordando conteúdo de conotação explicitamente sexual e de desvalorização do papel da mulher.

Seja no sertanejo, no forró estilizado, na axé music, no pagode, na swingueira e sobretudo no funk, mais de 80% das "letras" abordam a mulher como produto sexual de consumo fácil, sugere situações de relacionamento (que deveriam estar reservados à intimidade das pessoas).

Os "ritmos" se apoiam em danças, cujas coreografias sugerem posições do ato sexual, dando ênfase exclusivamente as "bundas" como se fosse o principal atributo de uma mulher, para conquistar a atenção dos homens.

Sobretudo no funk, que em sua maior parte (em suas letras) faz apologia ao uso de drogas, a violência e a ostentação, figura o homem como o "pegador", que tem dinheiro, que pode tudo, que tem poder e, os que não são assim, são chamados de "vagabundos".

Já as mulheres, são tratadas como "cachorras", "piriguetes", "novinhas", "peguetes", (só para citar alguns), cujos adjetivos equivalem a serem chamadas de "piranhas", "prostitutas" ou "garotas de programa". Numa clara demonstração de desrespeito, rotulando a mulher como um objeto de consumo, como interesseira, que se vende pelos bens materiais ou o dinheiro que um homem tenha, que é usada e jogada fora.

Isso tudo é colocado pela mídia como a "onda do momento", como o "que está em moda" e, atinge especialmente os(as) adolescentes e jovens, além de influenciar muitas crianças. O pior é que toda essa influência negativa encontra amparo ou permissão até mesmo em muitos ambientes escolares. Tenho escutado de alguns professores a "explicação" que tais ritmos é o que o jovem gosta. Gostam porque não lhes é oferecido algo com conteúdo, porque não se encara a realidade como ela é (com todas os seus agravantes), porque estão abrindo mão de orientar, debater, estimular a reflexão, apresentar alternativas.

Trato esse assunto sem qualquer conservadorismo ou falso moralismo. Para mim, não está em questão a liberdade de expressão, não está em questão a diversidade musical existente, não está em questão a liberdade da mulher em se vestir da forma que quiser, nem tampouco a liberdade sexual.

Está em questão a predominância de uma forma desrespeitosa e desqualificada de se ver a mulher, onde ao invés de destacar sua essência e suas qualidades humanas, busca-se enfatizar formas perjorativas que vulgarizam o papel da mulher na sociedade e nas relações.

Sei que não é fácil e muitas vezes é como remar contra a maré. No entanto, admitir todo esse processo como algo normal é fechar os olhos para as consequências diretas e indiretas de toda essa "onda". O sexo precoce, sem orientação e sem responsabilidade, trás (por exemplo) como consequência o aumento dos índices de doenças e de gravidez na adolescência. O tratamento da mulher como objeto sexual, alimenta e fortalece o machismo.

Essa é minha opinião!

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