PONTO DE PARTIDA

PONTO DE PARTIDA

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

NÃO SOU ESCRAVO de nenhum senhor


Sou bastante crítico em relação ao que se tornou o carnaval no Brasil, especialmente nas grandes capitais e grandes cidades, com a cultura de massa e manipulação da grande mídia, servindo como forma de alienação e atendendo aos gostos e prazeres dos turistas.

No Rio de Janeiro (que destaco nesse artigo), desde que passou-se a saber o que está por trás de grande parte das escolas que desfilam: aliança com a contravenção/bicheiros, tráfico e esquemas que envolvem toda uma máfia (inclusive de políticos e mídia), perdeu-se o brilho e a magia do que representava para cada comunidade o desfile do carnaval.

Más, apesar de toda essa realidade, nesse ano de 2018, uma Escola de Samba conseguiu balançar o país (G.R.E.S Paraíso do Tuiuti), trazendo um enredo historicamente questionador e realista, complementado pela coragem de escancarar na avenida a realidade nua e crua de um país vitimado por um golpe que vem atingindo a vida da maioria da população.

O samba enredo trata do tema da escravidão passada e de como a sociedade brasileira se sustenta nessa herança maldita, para conduzir uma realidade de exclusão e preconceito contra os pobres (especialmente negros e índios), configurando um CATIVEIRO SOCIAL.

Fala da ancestralidade, de nossas origens africanas, do sofrimento, das esperanças de liberdade, do tambor, da virgem do Rosário e do Negro Benedito, como refúgio, fala de ritual e de luta.

Faz uma crítica a abolição, propagada como bondade, e que no entanto, representou mais uma crueldade, jogando os negros ao abandono e à exclusão e marginalização.

Da comissão de frente até a última ala, todo o cenário apresentado levou à reflexão sobre essa realidade.

Más, ficou para o final, na última ala e no último carro alegórico, a surpresa e a "tapa na cara" da grande mídia (leia-se rede globo) e dos golpistas em geral, com a revelação/denúncia de como se deu o golpe, manipulando pessoas, destruindo direitos sociais conquistados com muitas lutas, a corrupção dos golpistas, a entrega das riquezas do país aos estrangeiros e o aprofundamento das contradições sociais, numa nova forma (não menos cruel) de escravidão social.

Não me interesso pelo resultado do jogo das disputas entre as escolas (mesmo que tenha conseguido o vice campeonato), apesar de que mereceu o primeiro lugar.

Independente disso, a Paraíso do Tuiuti, foi a grande vencedora de uma outra disputa, que passa despercebida, e que é muito mais importante: o resgate da HISTÓRIA e da DIGNIDADE, a RESISTÊNCIA CIVIL, o ACENDER DA LUTA. A capacidade de fazer da expressão cultural, UMA FORMA DE CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA ATIVA.

Por fim, no refrão do samba enredo, uma mensagem clara de reflexão e de luta, NÃO SOU ESCRAVO DE NENHUM SENHOR e, o início de uma discussão necessária, que precisamos incorporar no trabalho sócio-cultural: o da COMUNIDADE como BASTIÃO (base, fortaleza e referência de um movimento de resistência) e, de transformar a PERIFERIA E A FAVELA, num verdadeiro QUILOMBO, numa SENTINELA DA LIBERTAÇÃO.

Links para pesquisa:
História da Paraíso do Tuiutí   https://pt.wikipedia.org/wiki/Para%C3%ADso_do_Tuiuti
Letra do Samba Enredo  https://www.letras.mus.br/gres-paraiso-do-tuiuti/samba-enredo-2018-meu-deus-meu-deus-esta-extinta-a-escravidao/

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Fevereiro - Um mês especial


Fevereiro é para mim um mês inesquecível, daqueles que por diversas razões não me saem da memória.

Minhas recordações seguem uma ordem cronológica na seguinte forma:


Victor Ernesto - meu terceiro filho

O dia 2, lembra o nascimento do meu terceiro filho, Victor Ernesto Silva da Paixão, nascido em 2 de fevereiro de 2001, hoje com 17 anos.
Ele (assim como meus outros dois filhos) é uma luz em minha vida e uma forte razão para seguir em frente na minha luta diária.

Maria Afonso da Paixão - Minha Mãe
O dia 5, lembra do aniversário de nascimento de minha mãe, Maria Afonso da Paixão, nascida em 5 de fevereiro de 1932 e falecida em 9 de junho de 2005, com 73 anos de idade.
O que antes era a recordação do aniversário dela, nos últimos 13 anos tem sido a dor e a tristeza de sua ausência.
 
João Francisco da Paixão - Meu Pai

O dia 17, marca o falecimento de meu pai, João Francisco da Paixão, ocorrido no dia 17 de fevereiro de 1981, aos 58 anos de idade.
São 37 anos, sem sua presença, o que me faz imensa falta.
Diego Andrade da Paixão - meu primeiro filho
O dia 27, marca o nascimento de meu primeiro filho, Diego Andrade da Paixão, ocorrido em 27 de fevereiro de 1989, nesse mês completando 29 anos completos.
Meu primogênito, minha primeira alegria em ver o nascimento de um filho. Luz pra minha vida, razão (a exemplo dos outros dois filhos) para seguir em frente.

Fevereiro é também um mês decisivo em minha vida.
Por vários anos tem sido nos meses de fevereiro que surgem novos desafios, novas oportunidades, luta contra adversidades e, realizações várias.

E assim, entre vitórias e derrotas, perdas e ganhos, chegadas e despedidas, que fevereiro é um mês muito especial pra mim.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

02 de fevereiro dia de Victor Ernesto


Num dia de hoje 02 de fevereiro, há exatos 17 anos (2001), nasceu às 15:10 horas, na cidade de Palmares/PE, VICTOR ERNESTO SILVA DA PAIXÃO, meu terceiro filho.

Quando o Victor nasceu eu estava numa outra fase de transformações em minha vida. Minha atuação estava concentrada na zona da Mata Sul de Pernambuco, especialmente no município de Água Preta. Morava em Palmares e estava em meu segundo relacionamento conjugal.
Os ideais de vida, as convicções e minhas ideologias permaneciam as mesmas de antes, más por força de circunstâncias, passei por alguns traumas, perdas e insucessos, onde acrescentava-se também algumas incertezas.
Seu nascimento trouxe (à exemplo de meus outros dois filhos) muita luz pra minha vida e a tranquilidade que eu precisava naquele momento de turbulências.
Dei-lhe o nome de Victor Ernesto.
Victor, em homenagem ao poeta, cantor e compositor Chileno Victor Jara, preso, torturado e morto pelo Golpe Militar liderado por Pinochet no Chile em 1973.
Ernesto, foi mais uma vez em homenagem a Che Guevara, principal referência para a formação de minhas idéias e ideais de vida, que norteia minha trajetória social, política e humana.

Nessa importante data, quero desejar-lhe muita vida, paz, e saúde e, que possa sempre trilhar pelos caminhos do bem, que aprenda os valores principais que devem nortear a vida de um ser humano, que é ter a capacidade de exercer a solidariedade, a fraternidade e o amor; a valorização da vida acima de qualquer outra coisa e a indignação diante das injustiças que são cometidas contra qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo.