PONTO DE PARTIDA

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sexta-feira, 16 de março de 2018

Em tempos de Golpe, o extermínio do povo pobre e das lideranças populares, está se tornando cada vez mais frequente

Marielle Franco - assassinada no Rio de Janeiro

Pelo país afora, diversas lideranças sociais e políticas, bem como intelectuais, artistas, grupos e movimentos sociais, receberam com indignação e tristeza, a notícia dos assassinatos de Marielle Franco, negra, feminista e vereadora pelo PSOL (RJ) e de seu motorista e companheiro de ativismo, Anderson Pedro Gomes. Ao ser sumariamente assassinada na noite de 14 de março, no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, tentaram calar Marielle que vinha denunciando abusos de policiais, a intervenção do Exército e a violência contra as comunidades cariocas.

Esse crime covarde e repudiável somam-se a outra série de assassinatos que estão sendo cometidos contra lideranças de movimentos sociais pelo país afora.

Os dados são estarrecedores, como veremos a seguir:

O período do atual (des)governo golpista do Michel Temer (desde o impeachment da Presidenta Dilma), já soma mais de cem assassinatos por conflitos agrários, que inclui lideranças dos movimentos que lutam por Reforma Agrária como o MST, além de lideranças de Comunidades Quilombolas e Indígenas.

O ano de 2017 foi marcado por chacinas que vitimaram camponeses e trabalhadores sem terra, confirmando uma tendência que vem crescendo nos últimos 10 anos, cujas vítimas continuam sendo assassinadas indiretamente pela expansão do latifúndio, do agronegócio, da mineração e das grandes obras de infraestrutura. Os atuais índices, conferem ao Brasil o título de país mais violento para populações camponesas no mundo.

Outro fator que estimula a violência contra as lideranças no campo, é a crescente onda de retirada de direitos/conquistas sociais, aliada a ascensão de uma concepção fascista e autoritária cada vez mais presente na sociedade, onde os setores mais retrogados estão sentindo-se à vontade para manifestar suas atitudes agressivas.

Nessa mesma semana, no dia 12, o país já havia tomado conhecimento do assassinato de Paulo Sérgio Almeida Nascimento, de 47 anos, morto com quatro tiros. Ele era um dos representantes da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama) que desde 2017 cobrava da prefeitura de Barcarena, no Pará, se a empresa norueguesa Hydro possuía autorização para construção das bacias de rejeito.

Vivemos ainda (dia após dia) o extermínio do povo pobre (especialmente negros e índios) nas periferias e favelas desse país, vitimados por um sistema desumano, racista e cruel que explora, marginaliza, exclui, abandona e mata. Um genocídio maior do que muitas guerras que ocorrem na atualidade em outras partes do mundo.

Esses crimes, que se somam e encontram seu ponto de maior repercussão na pessoa e na luta da Marielle Franco, nos diz que alguma coisa está fora da ordem, nos diz que nossa sociedade está vivendo um profundo conflito ético, moral, social e humano, e que somos chamados a atuar de forma efetiva e contundente.

Precisamos nos opor frontalmente a esse caos e travar uma luta permanente, de conscientização e pela retomada dos direitos, da justiça e da democracia.  

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