PONTO DE PARTIDA

PONTO DE PARTIDA

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Uma "Eleição" marcada pela fraude


Historicamente no Brasil, as eleições sempre foram marcadas por trapaças, roubalheira e fraudes.

Desde a época dos coronéis e das oligarquias familiares, que dominavam a política nas várias regiões do país, o recursos das fraudes, compra de votos e roubos, costumeiramente foram utilizados em seu favor nas disputas com seus adversários.

Nos tempos mais próximos as fraudes eleitorais foram fundamentadas especialmente na compra de votos, nos esquemas de caixa 2 de campanha (onde entra em ação vários grupos econômicos) e da publicação massiva de notícias falsas, mentiras, calúnias e difamações. As atualmente chamadas de Fake News.

Particularmente das campanhas de 1989 para cá, esse recurso foi se tornando cada vez mais intenso.

Concretamente às eleições que foram encerradas no último dia 28, foi a mais fraudulenta de todas e, talvez uma das mais fraudulentas do mundo.

Para uma melhor compreensão, se faz necessário lembrar que essas eleições fizeram parte da estratégia dos setores da direita, que deram o golpe de 2016, que afastou a Presidenta legítima Dilma Roussef, sem nenhum crime de responsabilidade, colocando em seu lugar o Michel Temer para cumprir uma agenda de retirada dos direitos, ruptura com a democracia e a entrega das nossas riquezas aos estrangeiros, ou seja, um conjunto de ações fraudulentas, inclusive de desrespeito às eleições realizadas em 2014.

Dando continuidade a fraude principal, seguiram com o processo armado contra o LULA, o aprisionaram e o impediram de concorrer às eleições, passando por cima da Constituição, dos direitos eleitorais e até mesmo das recomendações da ONU.

Se faz necessário lembrar, que as próprias pesquisas apontavam que não havia candidato capaz de derrotar o LULA, que tinha chances concretas de vencer às eleições já no primeiro turno.

Considerando esse aspecto, a realização da eleição em si, já se constituiu numa grande fraude.

Precisamos também lembrar do fato em que mais uma vez os grandes monopólios da mídia (grande imprensa) jogaram a favor da candidatura conservadora, representada em Bolsonaro, ora omitindo fatos concretos, ora dando cobertura as aberrações e mentiras proferidas e, por outras (como no caso explicito da Record) de promover campanha aberta em favor do candidato fascista.

No decorrer do processo eleitoral, foram constatadas a emissão de inúmeras mensagens falsas via redes sociais e sobretudo através do WhatSapp, criando um clima de medo, distorcendo fatos e propagando mentiras, que influenciaram decisivamente no voto de milhões de pessoas.

Como se isso não bastasse, foi descoberto (a partir de reportagem e de vídeos que vieram a público com a participação do próprio Bolsonaro) um grande esquema de Caixa 2, financiado por grandes empresários onde cada um entrava com valor em torno dos 12 milhões de reais, o que constitui outro crime eleitoral, passivo inclusive, da impugnação da candidatura.

Vale à pena ainda ressaltar, a utilização da manipulação religiosa, incluindo as pregações partidárias dentro das igrejas evangélicas e em outros casos católicas que defenderam abertamente a candidatura fascista (o que é proibido pela lei eleitoral), sendo advertido apenas o bispo que falava pra não votar em candidatos antidemocráticos, racistas e preconceituosos, que pregam o ódio e a violência.

Como conclusão de mais essa etapa do golpe, constatou-se o partidarismo de parte do judiciário e a conivência de outros setores sociais, que assumiram posturas favoráveis a Bolsonaro, em campanha aberta ou disfarçada.

Assim sendo, o resultado dessas eleições retratam um conjunto de fraudes, as quais somadas (se vivessemos em um processo democrático e de respeito às leis) teria sido anulada.

sábado, 27 de outubro de 2018

MEU VOTO


Meu voto nesse dia 28 de outubro de 2018, terá um significado todo especial.

Quando eu estiver diante da urna, digitando o 13, estarei fazendo um ato que justifica toda a minha trajetória de vida.

Vou estar votando contra o Fascismo que hoje se apresenta no Brasil, travestido de racismo, preconceito, machismo, homofobia e xenofobia, representado na candidatura do "coisa ruim". Vou estar votando contra todos aqueles que defendem a ditadura, a tortura e o assassinato de opositores políticos. Vou estar votando contra o ódio e a violência

Por outro lado (e esse tem maior significado), estarei votando em homenagem a todos(as) que deram suas vidas, na luta contra a opressão e a escravidão, dos povos indígenas e afrobrasileiros.

Estarei votando em homenagem a todos(as) que tombaram na luta contra as ditaduras (em especial a instalada com o golpe militar de 1964).

Estarei votando pela democracia, pela liberdade, pelo respeito às diferenças, pelo direito à diversidade. Estarei votando pela PAZ.

Meu voto é um voto de Fé, de Luta e de Esperança!
Meu voto é de Resistência!
Meu voto é por nossa gente e por nossos ancestrais!
Meu voto é por nossas crianças e jovens, é por cada negro e índio, é pelo trabalhador!
Meu voto é por cada mulher, explorada e violentada pelo machismo e pela covardia e em apoio à luta de todas as mulheres!
Meu voto é por respeito a todos(as) LGBT's e pelo direito de amarem livremente e de serem felizes!
Meu voto é em defesa dos explorados, oprimidos e marginalizados!

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Em nome de Deus


Na história da humanidade, inúmeras guerras, conflitos e ações violentas, foram registradas, tendo como justificativa de estarem "seguindo a vontade de Deus".

Dos tempos mais antigos, passando pela idade média aos dias de hoje, vemos (mundo afora) explodirem conflitos que tem levado à morte milhões de seres humanos, sob a alegação de fundamentalistas que adicionaram aos conflitos etnicos e territoriais, o componente religioso.

Os crimes praticados em "nome de Deus", partem de elaborações conceituais distorcidas, sem nenhuma relação com a profundidade espiritual e a essência da relação humana com o criador. O nome de Deus é usado para "dar validade" a prática daqueles(as) que buscam estabelecer o domínio e a submissão dos outros aos seus interesses. 

Assim, na história, o extermínio de povos, a escravidão, o racismo, o preconceito, a tortura, o assassinato e uma série de outros crimes, encontraram na "justificativa" religiosa, sua razão de existir.

Nos tempos atuais e especialmente em nosso país (propagado como um país de maioria cristã), temos vivido uma "onda" de intolerância e expressões de racismo e preconceito, que apresenta seus desdobramentos em formas violentas, seguidas de ameaças, agressões e assassinatos.

Das redes sociais à convivência do dia-a-dia, já são incontáveis casos, que tomaram sua proporção maior nesse período eleitoral.

No centro da "onda" que já podemos caracterizar como fascista, está o candidato Bolsonaro, cujo discurso de ódio, racismo, intolerância, machismo e xenofobia, além de incitação à violência e da defesa de tortura e assassinato de opositores, reúne como seus apoiadores, pessoas que se declaram "cristãs" e que em oposição aos princípios do cristianismo, se pronunciam em torno do lema "DEUS ACIMA DE TODOS", num tom ditatorial, totalitário e opressor, se colocando em posição de exclusão ou extermínio das chamadas minorias sociais e da negação dos direitos humanos.


São pessoas (católicas e protestantes/evangélicas) que assimilam as pregações deturpadas de falsos líderes, que pregam a exclusão de pessoas, que se assumem como "diferentes e abençoados", a partir de um fundamentalismo alienado, de uma "teologia da prosperidade" que os impulsiona para a aquisição de riquezas e benefícios materiais, constituindo-se em classe privilegiada.

Em sua maioria, esses falsos cristãos já são racistas, preconceituosos, discriminatórios e defensores da violência, que utilizam o nome de Deus, como cortina para encobrir seus próprios males e suas incoerências e, que agora encontram na "onda fascista" a oportunidade de extravasar seus "anseios" e seus "desejos". 

Já outros que somam e que se identificam também como "cristãos", tem uma "fé" baseada no medo e, por não possuírem conhecimento, nem profundidade nos estudos do cristianismo, tornam-se massa de manobra de outros e suscetíveis a acreditar na propaganda e nas notícias falsas propagadas pelos manipuladores.


Por outro lado, apesar desse grande contingente de falsos cristãos, vemos de forma esperançosa, a resistência de muitos(as) leigos, padres, bispos, pastores, religiosos, entre outros(as), que são historicamente comprometidos(as) com as causas sociais e populares, que atuam de acordo com a essência do cristianismo, que é a defesa e a valorização da vida em todos os seus aspectos, além de somarem esforços na construção de uma sociedade sem exclusão, com respeito aos direitos humanos em democracia e em paz.

São esses(as) cristãos que sim, EM NOME DE DEUS, defendem os pobres, os oprimidos e os marginalizados, que aliam FÉ e VIDA, para mostrar que é necessário mais do que nunca buscar a construção de um mundo melhor.

Que nesse momento decisivo da história de nosso país, saibamos escolher o lado certo e a todos(as) que se pronunciam cristãos, lembrem: NÃO É CRISTÃO QUEM DEFENDE A TORTURA, O CRIME, O RACISMO, O PRECONCEITO E O ÓDIO.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Instituto Raízes em Defesa da Democracia e da Paz


O Instituto Cultural Raízes vem tornar público seu posicionamento em relação ao momento político que estamos vivendo em nosso país.

Somos uma instituição não-governamental que atua de forma autônoma e independente, sem vinculação partidária e em defesa da democracia.

O momento de crise que o Brasil está mergulhado, a partir do golpe dado em 2016, com o afastamento da Presidenta Dilma Roussef, continuado pela retirada de direitos sociais e trabalhistas, de aprofundamento da crise econômica, de politização do judiciário e da judicialização da política, de entrega de nossas riquezas aos estrangeiros, aliado a uma crescente militarização do governo e da conivência e financiamento da grande mídia e dos setores mais ricos do país, que possibilitaram o surgimento de uma onda de racismo, preconceito, machismo, xenofobia e intolerância, que se desdobram em agressões, ameaças e mortes de lideranças sociais e culturais, compondo o que se caracteriza historicamente (com muita propriedade) de FASCISMO.

Toda essa "onda" tem sua principal liderança personificada na figura do candidato Jair Bolsonaro, uma figura deplorável e repugnante, cuja pregação de ódio, intolerância e violência está levando seus seguidores a saírem às ruas para agredir, provocar e assassinar pessoas que se expressam de forma diferente da deles.

Além disso, suas posições por vezes declarada e repetidas, apontam para um aprofundamento da crise econômica e social, de ruptura com o que nos resta de democracia e instalação de uma era de perseguição e extermínio de seguimentos e movimentos sociais que lutam por direitos, além de subserviência total as interesses estrangeiros (em especial os Estados Unidos), inaugurando uma nova época de neocolonialismo, fazendo do Brasil ficar de joelhos perante o capital internacional e de instalação do terrorismo de estado, à exemplo do ocorreu no período da ditadura militar.

Por essas razões acima expostas e coerentes com nossa trajetória de defesa da liberdade, da democracia e da paz, bem como dos valores humanos e das tradições culturais populares afrobrasileiras e indígenas, não poderíamos e nem vamos ficar calados e inertes diante de tão grave situação.

Anunciamos nosso TOTAL E IRRESTRITO APOIO AO CANDIDATO A PRESIDENTE FERNANDO HADDAD do Partido dos Trabalhadores, pelo mesmo representar todas as conquistas alcançadas nos governos do Presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA e da Presidenta DILMA ROUSSEF e por representar o processo de lutas históricas dos movimentos sociais e culturais no Brasil.

CONCLAMAMOS a todas as organizações sociais, comunitárias e culturais a assumirem o compromisso da luta em defesa da retomada da democracia, da paz e do respeito às diferenças e diversidades.

NOSSA LUTA É CONTRA TODO TIPO DE RACISMO, INTOLERÂNCIA, PRECONCEITO E VIOLÊNCIA.
NOSSA LUTA É CONTRA O FASCISMO!

HADDAD - 13
PARA QUE O BRASIL RETOME O CAMINHO DO DESENVOLVIMENTO, DA DEMOCRACIA E DA PAZ!

TRISTEZA E INDIGNAÇÃO


Nós que fazemos o Instituto Cultural Raízes, vimos de público mostrar nossa tristeza e indignação, diante do assassinato do Mestre Romualdo Rosário da Costa - MOA DO KATENDÊ, crime esse ocorrido por motivação política.

O Mestre Moa do Katendê é mais um irmão negro assassinado injustamente nesse país. A exemplo do que aconteceu com Marielle e com várias outras lideranças quilombolas e indígenas, esse foi um crime de ódio e de intolerância, características dessa onda fascista que cresce a cada dia, que tem dividido o nosso país, colocando em evidência uma gente que se julga "dona da razão", que se acha "melhor que os outros", que não consegue dialogar e que prega a violência como "solução" para as diferenças e os conflitos.

Temos visto os inúmeros casos de intimidação, ameaças, perseguições, agressões, ataques físicos e armados e, por fim, os casos extremos de assassinatos.

Essa onda fascista tem seus alvos que são os negros, índios, pobres, marginalizados, mulheres, LGBT'S. É direcionado também as religiões de matriz africana e se completa  contra as posições políticas progressistas e de esquerdas.

Esse sangue derramado, mancha as mãos daqueles que vem promovendo o ódio e a insensatez. É mais uma vida ceifada, que vai pra conta dos cachorros loucos fascistas. Más também vai pra conta dos grandes meios de comunicação que tem sido propagadores e cúmplices da campanha do ódio e da intolerância. Está na conta de todos os políticos e demais seguimentos que deram evidência a essa horda de fascistas que estão a cada dia mostrando toda sua agressividade. Está na conta desse animal chamado Bolsonaro e daqueles que fanaticamente o apoiam e concordam com seus pensamentos e práticas.

Precisamos estar conscientes dessa realidade e não devemos nos omitir. O que nos resta é lutar, conscientizar, mostrar os riscos de toda essa onda absurdamente alienante e perigosa, além de resistir.

Resistir por toda nossa história!
Resistir pela memória dos nossos ancestrais!
Resistir em honra a todos que foram covarde e brutalmente assassinados!
Resistir por Liberdade e Democracia!
Resistir por respeito, dignidade e pela Paz!

O POVO NEGRO ESTÁ DE LUTO MAIS UMA VEZ.
A CAPOEIRA ESTÁ DE LUTO.
A CULTURA AFROBRASILEIRA ESTÁ DE LUTO!


Mestre de Capoeira é assassinado por apoiador de Bolsonaro



Mestre de capoeira é assassinado com 12 facadas pelas costas na Bahia após admitir ter votado "contra a intolerância". Vítima também era compositor, artesão, educador e ativista pela paz e contra o racismo. Assassino é fã de Jair Bolsonaro.

O Mestre de Capoeira Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, conhecido como Moa do Katendê, foi assassinado com 12 facadas em Salvador (BA), neste domingo de eleição (7).

O registro policial afirma que Romualdo foi morto em um bar na Avenida Vasco da Gama após declarar que votou em Fernando Haddad (PT) nas eleições 2018.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), o assassino tinha chegado ao bar gritando o nome do candidato do PSL.

A perícia identificou que as 12 facadas proferidas pelo criminoso atingiram a região das costas de Katendê. Um amigo do mestre de capoeira, que tentou defendê-lo do ataque a faca, também ficou ferido.

Testemunhas afirmam que Romualdo estava na mesa com um amigo, quando um homem chegou no local, exaltado, gritando o nome de Jair Bolsonaro.

O Mestre de Capoeira se pronunciou e confessou ter votado no candidato do PT à Presidência, “contra a intolerância”.

Uma discussão foi iniciada e o autor do crime foi à sua casa pegar a faca com a qual atacou a vítima por trás.

A polícia conseguiu prender o assassino, que já estava se planejando para fugir. “Os policiais avistaram um rastro de sangue que levava até uma casa e prenderam em flagrante o homicida escondido no banheiro. Ele já estava com uma mochila com roupas no intuito de fugir”, informou uma nota da PM baiana.

Ativista contra a intolerância

Mestre Moa do Katendê era um conhecido ativista contra a intolerância religiosa. “Nós, de matriz africana, respeitamos todos. E o que queremos? Em troca, respeito e consideração. Agora, invadir terreiros, procurar difamar uma tradição milenar é um ignorância muito grande. Aqui é um desabafo, e isso no país todo está fortalecendo”, afirmou em vídeo divulgado em sua página recentemente.

Mestre Moa do Katendê não era somente um artista negro entre tantos da Bahia. Ele era referência na defesa das tradições africanas e percorria o mundo divulgando a arte.

Compositor, dançarino, capoeirista, percussionista, artesão e educador, dizia que a cultura poderia promover a paz.

Há 40, havia fundado o “Badauê”, várias vezes campeão do carnaval baiano nos anos 80, na categoria de afoxés. “Esse afoxé foi responsável pela reafricanização do carnaval baiano”, diz o amigo e produtor cultural em São Paulo do mestre, Leandro Sequelle.

Em 1995, criou o afoxé “Amigos de Katendê”, com o qual viajava pelo mundo. Nesta segunda-feira (8), tinha viagem marcada para São Paulo, a trabalho. 

Primo de Moa, Germinio do Amor Divino Pereira, 51, também foi atingido com um golpe de faca no braço direito durante a confusão e foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde permanece internado. Na ocorrência registrada no posto policial da unidade, testemunhas identificaram o autor das facadas como sendo o barbeiro Paulo Sergio Ferreira.

Irmão de Moa, Reginaldo Rosário, 68, conta que estava bebendo com as vítimas, no Bar do João, quando o autor da facada começou a defender ideias do candidato do PSL, ouvindo críticas do capoeirista que era um eleitor do Partido dos Trabalhadores (PT).

                             
Reginaldo estava no bar e viu o irmão ser esfaqueado após a briga por motivos políticos (Foto: Marina Silva/CORREIO)

"Moa ponderou que era negro e que o cara ainda era muito jovem e não sabia nada da história. Moa disse ainda que ele tinha consciência do quanto o negro lutou para chegar onde chegou e o quanto Bolsonaro poderia tirar essas conquistas se chegasse ao poder", disse Reginaldo.

Ainda de acordo com o irmão das vítimas, após a discussão acalorada, um dos irmãos pediu que Moa ficasse calmo, no entanto, após a situação ter sido contornada, o autor da facada teria ido em casa, retornou com uma peixeira e atacou a vítima nas costas. "Foi tudo muito rápido. O cara foi em casa e voltou portando a arma. Chegou 'voando', atingindo meu irmão pelas costas. Foi muito difícil ver meu irmão naquela situação sem poder fazer nada", disse.

Filha do compositor, Somanair dos Santos, 35, conta que recebeu uma mensagem do pai nas primeiras horas da manhã do domingo (7) avisando que iria até sua zona eleitoral. Logo após a meia-noite, ela recebeu outra ligação de um parente avisando sobre o crime. Quando chegou ao local, encontrou o pai ensanguentado e sem vida.

                               
                   Filha de Moa, Somonair contou que já encontrou o pai morto (Foto: Marina Silva/CORREIO)

"O homem chegou com os ânimos exaltados e ele (pai) pediu para parar. Já estava tudo aparentemente cessado, mas ele chegou na covardia, esfaqueando meu pai sem defesa alguma. Não teve nenhuma defesa porque era um homem sem maldade", conta. 

Segundo ela, Moa tinha uma viagem marcada para São Paulo nesta segunda-feira (8). Ela afirmou que o artista se apresentaria com o grupo de afoxé Amigos do Catendê.

Também filha de Moa, Jesse Mahi disse que o pai tinha um comportamento tranquilo e que se mostrava favorável às ideias do PT, mas nunca tinha se envolvido em discussões políticas. 

"O legado dele não acabou, existe muito a ser feito. Meu pai era fanático pelo partido, ele nunca foi a favor dos princípios da direita", disse.

Autor foi preso

Policiais militares da 26ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) prenderam em flagrante, na madrugada desta segunda (8), o autor do homicídio, o barbeiro Paulo Sérgio.

                                        
                            Paulo Sérgio chega em sala do DHPP para apresentação (Foto: Marina Silva/CORREIO)


Em nota, a Polícia Militar informou que foi acionada pelo Centro Integrado de Comunicações (Cicom), com informações de que dois homens tinham sido atingidos por golpes de faca e deslocou uma equipe para o local. Lá, os policiais receberam a denúncia de que o autor do crime teria fugido para um beco próximo e iniciaram as buscas.

"Os policiais avistaram um rastro de sangue que levava até uma casa e prenderam em flagrante o homicida escondido no banheiro. Ele já estava com uma mochila com roupas no intuito de fugir", informou a nota da PM.

Ainda de acordo com a polícia, o homicida foi levado para o HGE para ser medicado, pois estava com um corte no dedo, e depois apresentado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Pituba. Paulo Sergio Ferreira chegou ao DHPP, no final da manhã, cabisbaixo, tentando esconder o rosto com as mãos, e na presença de dois policiais civis. Ele estava com a mão esquerda enfaixada trajando apenas um short sujo de sangue.

De acordo com a delegada Milena Calmon, responsável pelo caso, o agressor vivia há cerca de dois meses no bairro. Em depoimento à polícia, Paulo Sérgio disse que estava discutindo com o dono do bar, quando Moa e o primo se envolveram na conversa. 

No momento, diz a delegada, o agressor apoiava as ideias do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e as vítimas se mostraram contrárias. Paulo Sérgio nega que estivesse tratando de questões políticas.

Emoção no sepultamento do Mestre Moa do Katendê: