PONTO DE PARTIDA

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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Em nome de Deus


Na história da humanidade, inúmeras guerras, conflitos e ações violentas, foram registradas, tendo como justificativa de estarem "seguindo a vontade de Deus".

Dos tempos mais antigos, passando pela idade média aos dias de hoje, vemos (mundo afora) explodirem conflitos que tem levado à morte milhões de seres humanos, sob a alegação de fundamentalistas que adicionaram aos conflitos etnicos e territoriais, o componente religioso.

Os crimes praticados em "nome de Deus", partem de elaborações conceituais distorcidas, sem nenhuma relação com a profundidade espiritual e a essência da relação humana com o criador. O nome de Deus é usado para "dar validade" a prática daqueles(as) que buscam estabelecer o domínio e a submissão dos outros aos seus interesses. 

Assim, na história, o extermínio de povos, a escravidão, o racismo, o preconceito, a tortura, o assassinato e uma série de outros crimes, encontraram na "justificativa" religiosa, sua razão de existir.

Nos tempos atuais e especialmente em nosso país (propagado como um país de maioria cristã), temos vivido uma "onda" de intolerância e expressões de racismo e preconceito, que apresenta seus desdobramentos em formas violentas, seguidas de ameaças, agressões e assassinatos.

Das redes sociais à convivência do dia-a-dia, já são incontáveis casos, que tomaram sua proporção maior nesse período eleitoral.

No centro da "onda" que já podemos caracterizar como fascista, está o candidato Bolsonaro, cujo discurso de ódio, racismo, intolerância, machismo e xenofobia, além de incitação à violência e da defesa de tortura e assassinato de opositores, reúne como seus apoiadores, pessoas que se declaram "cristãs" e que em oposição aos princípios do cristianismo, se pronunciam em torno do lema "DEUS ACIMA DE TODOS", num tom ditatorial, totalitário e opressor, se colocando em posição de exclusão ou extermínio das chamadas minorias sociais e da negação dos direitos humanos.


São pessoas (católicas e protestantes/evangélicas) que assimilam as pregações deturpadas de falsos líderes, que pregam a exclusão de pessoas, que se assumem como "diferentes e abençoados", a partir de um fundamentalismo alienado, de uma "teologia da prosperidade" que os impulsiona para a aquisição de riquezas e benefícios materiais, constituindo-se em classe privilegiada.

Em sua maioria, esses falsos cristãos já são racistas, preconceituosos, discriminatórios e defensores da violência, que utilizam o nome de Deus, como cortina para encobrir seus próprios males e suas incoerências e, que agora encontram na "onda fascista" a oportunidade de extravasar seus "anseios" e seus "desejos". 

Já outros que somam e que se identificam também como "cristãos", tem uma "fé" baseada no medo e, por não possuírem conhecimento, nem profundidade nos estudos do cristianismo, tornam-se massa de manobra de outros e suscetíveis a acreditar na propaganda e nas notícias falsas propagadas pelos manipuladores.


Por outro lado, apesar desse grande contingente de falsos cristãos, vemos de forma esperançosa, a resistência de muitos(as) leigos, padres, bispos, pastores, religiosos, entre outros(as), que são historicamente comprometidos(as) com as causas sociais e populares, que atuam de acordo com a essência do cristianismo, que é a defesa e a valorização da vida em todos os seus aspectos, além de somarem esforços na construção de uma sociedade sem exclusão, com respeito aos direitos humanos em democracia e em paz.

São esses(as) cristãos que sim, EM NOME DE DEUS, defendem os pobres, os oprimidos e os marginalizados, que aliam FÉ e VIDA, para mostrar que é necessário mais do que nunca buscar a construção de um mundo melhor.

Que nesse momento decisivo da história de nosso país, saibamos escolher o lado certo e a todos(as) que se pronunciam cristãos, lembrem: NÃO É CRISTÃO QUEM DEFENDE A TORTURA, O CRIME, O RACISMO, O PRECONCEITO E O ÓDIO.

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