PONTO DE PARTIDA

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Em 17 de fevereiro, há 38 anos, o primeiro e mais duro impacto em minha vida

João Francisco da Paixão - Meu pai

No dia 17 de fevereiro de 1981, há 38 anos, acordávamos em casa, aos gritos de pedidos de socorro de minha mãe.

Na porta do quarto aonde dormíamos eu e minha irmã, a imagem de meu pai caído de joelhos, segurado por minha mãe. Era por volta das 5 horas da manhã.

Em seguida, alguns vizinhos foram chegando, deitaram ele na cama e vi os últimos suspiros da pessoa a qual eu era mais apegado, meu pai.

Eu era um menino de apenas 13 anos, enfrentando naquele instante a maior perda, a maior dor, o maior sentimento de tristeza. O primeiro e mais duro impacto em minha vida.

Ao completar estes 38 anos, ainda sinto sua falta e a tristeza de não ter podido realizar o sonho de andar com ele já velhinho, de cabelos brancos, retribuindo o carinho com o qual me tratava.



Quem era meu pai
João Francisco da Paixão, pernambucano, natural de Panelas, município do agreste do estado de Pernambuco, nascido em 07 de setembro de 1922, filho de uma família de agricultores. Seu pai era Libanio Francisco da Paixão e sua mãe Mariana Francisca da Conceição.

Cor: pardo-claro, olhos castanhos, cabelos castanhos lisos, medindo 1,68 mt de altura (assim consta nos seus documentos).

Profissão: agricultor, depois pedreiro, comerciante e sapateiro.

Falecido a 17 de fevereiro de 1981 às 05h00min, com 58 anos de idade.

Era um homem tranqüilo, muito sério, era carinhoso com minha mãe praticamente todo o tempo. Ele a chamava de minha filha e Ela o chamava de meu filho. Quando havia alguma discordância entre eles, era de uma forma tão discreta que eu e minha irmã não percebíamos.

Pouquíssimas foram às vezes que o vi chateado ou irritado com algo.

Tinha uma forma muito carinhosa de me tratar. Chamava-me de “mano” e sempre me levava quando ia à rua fazer compras ou na feira. Chegando à feira ele sempre falava pra eu escolher um boneco de barro ou então comprar um gibi nas bancas de revista.

Foi assim que dos 7 aos 9 anos desenvolvi a leitura, lendo gibis de aventura e infantis.

Eu era muito apegado a ele, era tudo pra mim, eu o acompanhava pra todo canto, quando ele saia sem mim e demorava a chegar eu ficava tenso e só sossegava quando o avistava chegando em casa.


Saudades sentirei, por toda minha existência...

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