PONTO DE PARTIDA

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quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Natal Feliz? 1 em cada 4 pessoas no Brasil sobrevive com renda de até R$ 420

                            

 
MARIA FERNANDA GARCIA
De:

Observatório do 3° Setor
 
De todas as crianças de 0 a 14 anos vivendo no país, 42,3% estão abaixo da linha da linha da pobreza
 
Um quarto da população brasileira (52,5 milhões de pessoas) vivia com menos de R$ 420 por mês em 2018, o que caracteriza situação de pobreza. A informação é da Síntese de Indicadores Sociais 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pobreza atinge principalmente a população preta ou parda, que representa 72,7% dos pobres (38,1 milhões de pessoas), em especial as mulheres pretas ou pardas (27,2 milhões estão abaixo da linha da pobreza).

A mesma pesquisa também aponta que 13,5 milhões de pessoas viviam em 2018 com renda mensal per capita menor que R$ 145, ou seja, na extrema pobreza. Isso significa que 6,5% dos brasileiros viviam nessa condição, maior percentual em 7 anos.

Esse número é superior à população inteira de países como Bolívia, Bélgica, Cuba, Grécia e Portugal.

Em relação às condições de moradia, 56,2% (29,5 milhões) das pessoas abaixo da linha da pobreza não têm acesso a esgotamento sanitário; 25,8% (13,5 milhões) não são atendidos com abastecimento de água por rede; e 21,1% (11,1 milhões) não têm coleta de lixo.

O relatório mostra outro dado triste: de todas as crianças de 0 a 14 anos vivendo no país, 42,3% estão abaixo da linha da linha da pobreza.

Para milhões de brasileiros, a noite tão esperada do ano não foi muito feliz como todos desejam.

Dormir para esquecer a fome



Por ocasião do Natal e estes dias finais de ano, sempre me ponho a refletir com mais intensidade, sobretudo, fazendo um balanço de vida e do ano já vivido.

Pesquisando para a construção de várias matérias reflexivas, encontrei em especial, uma matéria que muito me tocou e me remeteu ao passado, da infância e de tempos recentes.

Dormir para esquecer a fome
é o título da matéria

Realmente, a fome dá sono. E deixa traumas nas vítimas para o resto da vida.

Por volta dos seis ou sete anos de idade, abateu-se sobre minha família, uma terrível crise financeira, meu pai sem trabalho e sem renda, apenas fazendo "bicos" como sapateiro e, por vários meses, durante toda a semana, não tinhamos o que comer direito, ou se alimentar de acordo com a necessidade básica.

Recordo, que muitas das vezes, minha mãe preparava (numa vasilha plástica) um pouco de farinha com açúcar, para eu e minha irmã comer e, depois ficava deitada conosco na cama, contando histórias pra que a gente dormisse e esquecesse a fome.

Teve dias que foi só o contar de histórias, pois nem a farinha e o açúcar havia.

Foi um período que jamais esqueci, que me marcou profundamente pelo resto de minha vida. Sobretudo, porque senti a repetição (por duas vezes) na fase adulta, uma em início de 2005 e outra em finais de 2010 para início de 2011.

Não ter o que comer, não ter o dinheiro para comprar a comida, causa desespero e põe as pessoas no limite entre a razão e a perda dela.

Aqui segue os links da matéria, reproduzida a partir da realidade de mães e famílias de Japeri, na Baixada Fluminense, cujos relatos e histórias se repetem também aqui, pertinho de cada um de nós.

Link 1 - https://apublica.org/2019/03/dormir-para-esquecer-a-fome/ 
Link 2 - http://mulheres50mais.com.br/dormir-para-esquecer-a-fome/